Perigos da obsolescência programada

Enviada em 05/11/2020

Na década de 1920, após a Revolução Industrial, a indústria de lâmpadas decidiu realizar modificações em sua linha de produção, reduzindo a vida útil dos produtos para induzir o consumidor a troca-lo com mais frequência. Apesar de retratar um cenário vivido em décadas anteriores, no atual mundo contemporâneo, essa prática ainda persiste sendo denominada de Obsolescência Programada. Esse quadro de persistência é causado pela necessidade dos grandes empresários manterem seu lucro, porém a continuidade dessa prática prejudica o meio ambiente e traz danos a saúde da população.

Em uma primeira abordagem, é importante resaltar que o descarte inadequado do lixo eletrônico devido Obsolescência Programada tem como resultado sérios danos ambientais. Sob essa perspectiva, a persistência do problema ocorre devido ao interesse capitalista em incentivar o consumidor a descartar constantemente o produto adquirido. Entretanto, esse processo gera danos ao meio ambiente pois a decomposição de muitos produtos acaba ocorrendo de forma lenta e demorada, além de ocasionar a liberação de gases nocivos na atmosfera, que podem acarretar no fim da estabilidade necessária para a vida na Terra, desencadeando problemas graves como as chuvas ácidas, a extinção de espécies, o derretimento de geleiras e o aumento do nível do mar.

Em uma análise mais aprofundada, deve ser considerada a perspectiva do sociólogo Zygmunt Bauman, que em seu livro, “Modernidade Líquida”, alerta para a “coisificação” das relações humanas, pois, se antes a busca visava a manutenção das conexões antigas a fim de torná-las prósperas: hoje o contrário ocorre, visto que é mais fácil se livrar daquilo que desagrada nos primeiros obstáculos. Dessa forma, a Obsolescência Programada pode afetar o piscológico do consumidor, uma vez que tal processo torna o indivíduo inseguro de si e de sua realidade, pois ambos podem mudar repentinamente, influenciando no desenvolvimento de problemas como a depressão, a ansiedade e até transtornos mentais.

Torna-se evidente, portanto, que o problema da Obsolescência Programada é grave e exige soluções imediatas. Assim, cabe ao Governo Federal, com apoio do Ministério do Meio Ambiente, fiscalizar a efetividade de projetos de lei já criados a fim de garantir a proteção do meio ambiente, garantindo o manejo correto do lixo e sua devida reciclagem. Paralelamente, cabe ao Ministério da Saúde, com apoio do âmbito midiático, propor palestras e campanhas, conscientizando a população sobre a importância de realizar um consumo saudável e alertando sobre os danos piscológicos que a problemática pode resultar, com o objetivo de formar consumidores mais críticos. Dessa forma, será possivel sanar o problema da Obsolescência Programada.