Perigos da obsolescência programada
Enviada em 04/11/2020
A Segunda Revolução Industrial estendeu-se nos séculos XIX e XX, possibilitando o florescimento do capitalismo financeiro. Nessa etapa do capitalismo, a vontade de lucrar foi ampliada, o que tornou muitos produtos menos duráveis com o objetivo de alavancar as vendas. Não obstante dessa etapa financeira, a obsolescência programada está presente no mercado do século XXI prejudicando o consumidor. Nessa questão, destaca-se que a cultura da ostentação e a cobiça de lucro exagerado por parte dos empresários, são questões que contribuem para a ascenção do problema.
Muitos fabricantes de aparelhos telefônicos lançam todos os anos novos dispositivos com melhorias em relação ao aparelho do ano anterior. Isso cria uma sensação no consumidor que seu aparelho se torna obsoleto, induzindo-o a adquirir o dispositivo introduzido mais recentemente no mercado com o objetivo de ostentar esse novo equipamento. Por conseguinte, impactos negativos no planejamento financeiro de determinado indivíduo podem ocorrer, levando-o ao endividamento e possivelmente à adversidade familiar. Membros de uma mesma família podem encontrar problemas de ausência de dinheiro devido a essas compras pelo impulso, possibilitando divórcios e desentendimentos.
Além disso, é necessário expor o que o sociólogo Zygmunt Bauman declara: o indivíduo deve agir de forma a ver concretizado o que deseja para o bem social. Entretanto, com a ascenção do já citado capitalismo financeiro que gera a vontade de lucros exacerbados, os empreendedores estão programando seus produtos para torná-los obsoletos em pouco tempo, desrespeitando essa máxima de Bauman. Por consequência, os consumidores comprarão mais e produzirão uma grande quantidade de lixo. Esse lixo impacta demasiadamente o meio-ambiente por meio de poluição dos sistemas terrestres, hídricos e atmosféricos, levando à destruição de muitas espécies vivas pelo globo.
Dessa forma, pode-se perceber que a obsolescência programada gera muitos perigos financeiros e ambientais para a sociedade. Nessa lógica, o órgão educacional de cada nação - Ministério da Educação no caso do Brasil - deve promover palestras e debates nas escolas, com participação de especialistas na área por meio de verbas concedidas pelo órgão financeiro - Ministério da Economia no contexto brasileiro - com o intuito de levar a educação financeira para os estudantes, explicitando a importância de valorizar o dinheiro e adquirir produtos em casos de real necessidade. Alem disso, cabe também ao poder público de cada nação obrigar os fabricantes a estenderem a garantia de produtos por meio da modificação de leis do direito do consumidor, objetivando tornar esses produtos mais duradouros. Feito isso, a sociedade global irá observar suas compras tendo uma vida útil maior, além de tornar estável a questão financeira de muitas pessoas e famílias e ajudar a preservar o meio-ambiente.