Perigos da obsolescência programada

Enviada em 04/11/2020

Em 1929 os Estado Unidos, sofreu a pior crise econômica da sua história, devido a superprodução de bens e a alta durabilidade desses produtos. Percebe-se por analogia, porque as empresas atualmente usam a obsolescência programada, haja vista que para elas ter uma certa estabilidade econômica é fundamental o uso desse artificio. Contudo, a grande necessidade do mercado em diminuir a vida útil de seus produtos trouxe vários problemas para sociedade, entre eles a criação de um padrão consumista que corrobora para alta produção de lixo no mundo.

Em primeiro plano, vale ressaltar que obsolescência programada foi feita para incentivar o consumo da sociedade. Acerca disso, no livro ’’Dialética do Esclarecimento’’ dos escritores Adorno e Horkheimer, falam que a Indústria cultural buscar padronizar e homogeneizar o consumo da população, pois através da massificação dos produtos a sociedade estará cada vez mais dependente de suas mercadorias. Sob essa ótica, nota-se que o uso da obsolescência programada infelizmente é fundamental para que a indústria possa obrigar o consumo constante de novos produtos pela sociedade, uma vez que eles não têm muita escolha. Desse modo, a indústria cultural impõe um alto padrão consumista, o que é algo prejudicial para sociedade.

Consequentemente, essa alta necessidade de consumo gerada pela obsolescência programada aumentou de forma exponencial o lixo na sociedade. Prova disso é que de acordo com a NASA, o lixo eletrônico dobra a cada ano. Isso se deve pelo fato que no atual cenário mundial está mais propicio para o consumidor adquiri novos bens, uma vez devido a vida útil dos produtos reduzida se torna mais barato comprar um objeto novo do que conserta um aparelho eletrônico antigo. Assim, consoante ao sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade está em um estado de liquidez, na qual tudo tem que ser atual e facilmente descartável. Dessa maneira, esse lamentável pensamento é o principal responsável pelo aumento do lixo na sociedade.

Urge, portanto, medidas para atenuar os perigos desta estratégia. Para isso é fundamental que a ONU, por meio do G20, crie um fundo internacional de recursos voltados para pesquisas que visem construir tecnologias capazes de reciclar e reaproveitar o lixo eletrônico, em função da sua quantidade na sociedade e do seu perigo para o meio ambiente. Além disso, o mesmo agente deve estabelecer um tempo mínimo de vida para cada produto fabricado a fim de diminuir a necessidade da sociedade em comprar novos produtos. Espera-se com isso que a obsolescência programada seja usada só para estabilizar o mercado, e que não traga nenhum tipo de problema para sociedade.