Perigos da obsolescência programada
Enviada em 05/11/2020
Durante a década de 1970, difundiu-se entre as indústrias, até os dias atuais, o modelo de produção chamado Toyotismo. Esse padrão tem como uma de suas características a obsolescência programada, a qual visa produzir itens de qualidade, mas pouco duráveis, com o intuito de levar o consumidor a comprar novos produtos periodicamente. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que impactos na sociedade gerados pelo consumo exagerado e efeitos negativos no meio ambiente causados pelo acúmulo de lixo são notados.
É preciso considerar, antes de tudo, que o consumismo persiste intrinsecamente relacionado à lógica capitalista. Nesse sentido, esse é incentivado ao se fabricar produtos, os quais são pouco duráveis e precisam ser substituídos com maior frequência. Atrelado a isso está a degradação das relações sociais, visto que diversos indivíduos são julgados por não terem condições de se submeterem a esse sistema. Tal conjuntura se relaciona com os pensamentos do sociólogo Jean Baudrillard, o qual salienta que o prazer da compra atenua, psicologicamente, constrangimentos de diferenciação social e de prestígio. Por essa razão, urge a necessidade da mudança de concepções da população para sanar tal problemática.
É válido destacar, ainda, os milhares de aparelhos eletrônicos descartados diariamente por serem considerados obsoletos. Dessa maneira, tais hábitos ocasionam a concentração de resíduos na natureza, sendo um grande fator para problemas ambientais, como a contaminação do solo e do lençol freático, o entupimento de bueiros, a destruição da fauna e da flora, dentre outros. Prova disso é que, segundo o site “MídiaBahiana”, o Brasil é o maior gerador de lixo eletrônico de toda América Latina. Tal realidade vai contra uma das Metas do Milênio proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU), a qual visa garantir respeito ao meio ambiente, de forma a demonstrar a urgência de ações efetivas para minimizarem essa contenda.
Evidencia-se, portanto, que o desuso planejado de objetos provoca consequências drásticas ao corpo social e ao meio natural. Para contrapor as situações, cabe ao Ministério da Cidadania, em ação conjunta à mídia, elucidar a população quanto aos malefícios da compra excessiva, por meio de informativos em programas televisivos, a fim de moderar os padrões impostos socialmente. Outrossim, o Ministério do Meio Ambiente deve criar políticas que dificultem a comercialização de mercadorias com baixa vida útil, por intermédio da aplicação de multas às indústrias responsáveis, com a finalidade de diminuir a quantidade de lixos no país. Destarte, será possível conter tais impasses, na medida em que o legado de Baudrillard será um ensinamento e as Metas do Milênio serão alcançadas.