Perigos da obsolescência programada

Enviada em 14/11/2020

A obra cinematográfica “Tempos modernos”, interpretada por Charles Chaplin, retrata as mudanças trabalhistas oriundas da Segunda Revolução Industrial. Sob essa ótica, a obsolescência programada emergiu concomitantemente, como uma estratégia mercadológica para obtenção de lucros. Porém, seja pelo elevado incentivo ao consumo ou pelos danos causados ao meio ambiente, a deterioração acelerada dos produtos cunha-se prejudicial ao planeta como um todo e, por isso, carece de cuidados.

Previamente, é necessário salientar a banalidade contemporânea na aquisição de objetos. À medida que o tempo de utilidade de determinado aparelho é escasso, o gasto com futuras reposições e garantias extras é alarmado. Somado à isso, a constante ida à lojas para troca ou análise do produto aumenta a propensão à compras desnecessárias. De acordo com o sociólogo Karl Marx, o processo de reificação consiste justamente na humanização excessiva das mercadorias, tendo como consequência a elevação do consumismo social. No entanto, de acordo com o filósofo John Locke, “é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social”. Desse modo, instituir limites produtivos às empresas é crucial para travar a obsolescência desenfreada.

Ademais, o excesso de detritos não é compatível com a capacidade planetária. Conforme a ampla substituição de objetos é instituída, seu despejo incorreto no meio ambiente também é fortificado. Nesse viés, embora haja pontos de coleta seletiva oferecidos pelos governos, a ausência de educação ambiental na população dificulta a reciclagem correta dos materiais. Dessa forma, a exaltação da natureza - Típica da escola literária Romântica, do século XIX - é inviabilizada, sendo substituída pelo exacerbado prazer das compras. Indo de encontro ao pensamento do educador Paulo Freire, entretanto, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Logo, instaurar o caráter ativo nos cidadãos para preservação ambiental é essencial.

Portanto, ações são indispensáveis no objetivo de amenizar os perigos da obsolescência programada. Dessa maneira, a criação de embargos fiscais a produtos com menos de dois anos de utilidade, por meio da união entre os principais blocos políticos - Como o BRICS e a União Europeia - é mister a fim de que as corporações comecem a produzir mercadorias mais duráveis. Outrossim, a promoção de propagandas virtuais que ressaltem a importância da reciclagem e do descarte correto de resíduos, por intermédio de parcerias entre a Organização das Nações Unidas e de empresas midiáticas, é imperioso a fim de viabilizar a consciência ambiental nos cidadãos. Para isso, a renda da Organização das Nações Unidas para Saúde e Educação poderia ser usada. Apenas assim os pontos negativos da Segunda Revolução Industrial darão lugar aos ideais do Romantismo na sociedade.