Perigos da obsolescência programada

Enviada em 14/01/2021

No filme “Wall-e”, um robô encarregado de coletar lixo é o único habitante da Terra. Isso ocorre após a poluição e o descuido humano terem tornado a vida terrestre insustentável. Não distante da ficção, a sociedade hodierna caminha para um futuro semelhante ao do filme. Haja vista que a obsolescência programada, ou seja, aparelhos feitos para quebrar e, assim, promover o consumo, toma proporções cada vez mais perigosas. Ademais, o incentivo midiático de consumo e a falta da divulgação de informações sobre o descarte consciente agravam a situação de risco em que o planeta encontra-se.  A priori, cabe ressaltar que o estímulo midiático de compras, por muitas vezes, desnecessárias, torna os produtos descartáveis cada vez mais rápido. Conforme o pensamento do filósofo Karl Marx, “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia manipula a massa”. Sendo assim, a partir do ideário supracitado, o marketing hipnotiza o público e induz a compras desnecessárias. À luz disso, um viral da rede são os canais do YouTube “reacts” (do inglês reações), nos quais pessoas influentes da comunidade recebem novos aparelhos celulares, tablets e afins, todos os dias para mostrar ao telespectador que seu aparelho é ultrapassado. Dessa forma, a lavagem cerebral causada pela mídia promove compras irresponsáveis e favorece a obsolescência programada e, por conseguinte, os danos causados ao meio ambiente por ela.  Além disso, é valido salientar que há uma deficiência na propagação de informações sobre o descarte consciente. Segundo o filósofo Wittgenstein, “Os limites do meu conhecimento estabelecem os limites do meu mundo”. Em outros termos, a improficuidade em disseminar informações a cerca do descarte correto dos aparelhos propicia a eliminação incorreta e causa problemas ambientais, como o acúmulo de lixo, contaminação das águas e compactação do solo. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, o comprador deve ter ciência do descarte certo dos produtos, em função do cumprimento da lei, precisa-se de medidas para disseminação de informações, entretanto, muitas vezes as orientações são dispostas em um parágrafo do manual de instruções do produto, não caracterizando a importância que do descarte correto. Sob esse prisma, a ineficiência em informar o cidadão é fator promotor dos problemas causados pela obsolescência programada.   Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para mitigar os problemas causados pela obsolescência programada. Para tanto, urge que o Ministério do Meio Ambiente promova campanhas a fim de conscientar sobre a manipulação da mídia, sobre o consumo consciente e o descarte correto de aparelhos. Isso deve ser feito por meio de cartazes em vias públicas, palestras em escolas e universidades e anúncios em redes sociais de grande alcance. Destarte, a população estará livre da hipnose midiática e capacitadas para as ações pré-compra e pós uso. Somente assim, a vida se manterá sustentável e o futuro não será solitário, como do robô Wall-e.  Wall-e.