Perigos da obsolescência programada

Enviada em 31/01/2021

A música “3ª do Plural” da banda de rock nacional “Engenheiros do Hawaii” demonstra como as indústrias de consumo têm manipulado as decisões da sociedade em uma progressão de compras e vendas que envolvem até mesmo o próprio indivíduo. Entre as inúmeras estratégias utilizadas pelas empresas e descritas na canção destaca-se a “obsolescência programada”, artifício que tem empreendido na sociedade hodierna implicações que transcendem a economia, e atingem também as esferas emocionais e ambientais do corpo social.

Em uma primeira análise, percebe-se que desde a Revolução Industrial a relação entre ser e ter do indivíduo passou por profundas mudanças. Isto é, se antes o status social de uma pessoa era medido pelo seu grau de conhecimento e intelecto, agora essa mesma condição de influência dentro da comunidade é julgada pelas posses que ela possui. Utilizando-se dessa visão, as empresas tendem a massificar o consumo disponibilizando no mercado constantes lançamentos de seus produtos, que pouco se diferenciam daquele lançado há meses atrás. Aliado a esse fator, as inúmeras publicidades nos mais diferentes meios de comunicação acabam por gerar um senso de urgência na compra da mercadoria, a fim de que os indivíduos não venham a se sentir excluídos das “novidades” do momento, mesmo sabendo que ele durará por pouco tempo.

Ademais, a obsolescência programada também tem importantes impactos no meio ambiente. Diz-se isso pois o aumento da produção nas fábricas é proporcional ao aumento na liberação de gases do efeito estufa como CO2, o que acarreta, só para citar um exemplo, na formação da chuva ácida, fenômeno que acidifica o solo e os corpos aquáticos, dificultando o equilíbrio dos seus ecossistemas. Além do mais, o descarte inadequado desses produtos no ambiente tem causado a contaminação do solo e dos lençóis freáticos por metais presentes em seus componentes. O descarte sem qualquer reparo desses materiais é tão grande que a Organização das Nações Unidas (ONU) acredita que, em cerca de oito anos, o lixo eletrônico mundial acumulado pesará mais que o Pão de Açúcar, gerando assim, um verdadeiro ponto turístico de um futuro caótico.

Portanto, urge que o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente desenvolva nas escolas de ensino público e privado projetos de ensino ambiental, por meio de palestras e atividades lúdicas poderá ser mostrado aos estudantes os malefícios do descarte incorreto de materiais eletrônicos e como esses podem afetar o ambiente em que se vive. Com isso, além de incentivar práticas como a coleta seletiva, também será incentivado o consumo consciente de produtos. Dessa forma, será criada não somente uma geração milenial, mas sim uma geração do futuro.