Perigos da obsolescência programada
Enviada em 18/06/2021
A crise de 1929, ocorreu devido ao aumento da produção de bens de consumo duráveis, os quais geraram grandes estoques e, consequentemente, o supersaturamento no mercado. Essa conjuntura, fez com que surgisse um novo modelo de produção mais flexível e voltado para o consumo de produtos obsoletos. Nessa perspectiva, diversos artigos passaram a ter um curto tempo de vida útil , fato que provocou uma preocupação global acerca dos perigos da obsolescência programada. Nesse contexto, urge analisar como à lógica do sistema capitalista e a negligência estatal impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a obsolescência programada está intrinsecamente relacionada ao sistema capitalista. Segundo o sociólogo Karl Marx, o capitalismo prioriza lucros em detrimento dos valores. Sob tal ótica, no cenário hordierno, percebe-se que esse sistema impõe aos consumidores apenas opções de produtos obsoletos, haja vista que itens com prazo de validade são mais lucrativos e propiciam um ciclo vicioso de consumo. Nesse viés, a obsolescência planejada ocasiona uma conjuntura alarmante de descarte de objetos ditos como ultrapassados, os quais, em sua maioria, servem para ser reutilizados.Por conseguinte,a superprodução de bens não duráveis provocam um aumento considerável de lixo.
Outrossim, vale salientar a ineficácia das políticas públicas em promover informações a sociedade civil acerca da aquisição de produtos obsoletos. De acordo com o Instituto Akatu, 76% dos brasileiros não praticam o consumo consciente. Nesse sentido, tal panorama ocorre, sobretudo, devido à mínima atuação do Estado em fiscalizar e aplicar punições efetivas as empresas responsáveis por fabricar itens sem qualidade e com o mínimo tempo de vida útil, como os celulares e eletrodomésticos.Desse modo, nota-se que milhares de indivíduos possuem pouco conhecimento sobre os direitos dos consumidores, visto que são constantemente instigados a adquirem certos produtos pela indústria publicitária e, dessa maneira, acabam intensificando o excessivo descarte desses itens.
Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas para minimizar os impactos causados pela obsolescêscia programada no âmbito social. Logo, cabe ao Ministério da Educação - ramo do Estado responsável pela formação civil - promover palestras e debates nas escolas,desde as séries iniciais, os quais elucidem acerca dos perigos que a aquisição de itens obsoletos provoca na esfera social e, concomitantemente, estimulem o consumo consciente.Isso deve ser feito por meio de profissionais, como psicólogos e sociólogos, a fim de atenuar o descarte desses produtos e reduzir os impactos no meio ambiente.