Perigos da obsolescência programada
Enviada em 16/11/2021
O filme ‘’Wall-E’’ retrata a história do planeta Terra, abandonado pela humanidade, pois devido à intervenção humana, ele ficou lotado de lixo e de gases tóxicos. Fora da ficção, a realidade não é distante, visto que a poluição e o consumo estão cada vez mais recorrentes, e são uns dos perigos da obsolescência programada. Nesse sentido observa-se a configuração de um grave problema enraizado na lacuna educacional e na omissão governamental.
Nesse contexto, pode-se apontar a base educacional lacunar como um influenciador dessa questão. Segundo Imannuel Kant, o homem é o resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se ocorre um impasse social, há uma falha no sistema educativo. Desse modo, é notório que as escolas não debatem acerca da obsolescência programada e não lecionam que é uma estratégia capitalista de aumentar a troca de determinados materiais, diminuindo o tempo de uso. Ademais, as instituições de ensino não possuem a educação ambiental como matéria obrigatória, consequentemente, a poluição e o consumismo são fortes perigos desse viés. Logo, é evidente que, sem essas medidas tomadas, a resolução é dificultada.
Outrossim, é imperioso destacar que a inoperância legislativa é uma causa latente dessa questão. Conforme o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar da população mediante a um contrato social. Porém, essa premissa não é verificada no que concerne aos impactos da obsolescência programada, uma vez que não há políticas públicas eficazes voltadas para essa problemática, que fiscalizem assiduamente as empresas, gerando a continuidade do imbróglio e de suas consequências para a vida humana e para os ecossistemas. Diante disso, constata-se que não haverá o bem-estar proposto pelo pensador enquanto essa adversidade persistir e os responsáveis não forem punidos.
Portanto, urge uma intervenção pontual. Para isso, o poder estatal, por intermédio do Ministério da Educação, deve elaborar campanhas e palestras que abordem esse axioma para os alunos e seus responsáveis, com a presença de ativistas ambientais, por meio de projetos sociais ambientais disponibilizados para toda a população, a fim de diminuir os desafios desse cenário. Além disso, o Governo Federal deve instituir a educação ambiental como disciplina obrigatória e fiscalizar as empresas com políticas públicas. Assim, a realidade de ‘’Wall E’’ não acontecerá no Brasil.