Perigos da obsolescência programada
Enviada em 11/04/2022
A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, retrata a injustiça social da França do século XIX. Fora da Ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça impera no que tange à obsolescência programada, criando, na realidade, um problema que carece de denúncia e intervenção. Nesse contexto, pressupõe que se combatam não só a insuficiência legislativa, mas também a lógica capitalista.
Em primeira análise, convém ressaltar a incapacidade governamental como uma das raízes do problema. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. No entanto, essa perspectiva não se corrobora no cenário brasileiro, haja vista a ineficácia da lei 12.305, que prevê, sem sucesso, o fim da obsolescência programada. Dessa forma, se faz primordial que as autoridades governamentais se unam, em função da criação de medidas administrativas a fim de reverter esse revés que se estende ao século XXI.
Outrossim, é válido pontuar que o sistema capitalista também colabora para a dificuldade em cessar essa problemática. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o consumismo é uma forma compensatória para obter prazer. Sob essa ótica, torna-se explícito a necessidade das grandes empresas em fabricar seus produtos com uma “vida útil” menor, a fim de incentivar o consumismo na população, gerando, como consequência, um lucro maior aos próprios fabricantes. Nessa perspectiva, medidas precisam ser tomadas com o intuito de findar esse caótico cenário que atinge principalmente a massa de desigualdade social presente no país.
Portanto, mediante os fatos supracitados, é imprescindível que as autoridades governamentais responsáveis criem novas normas, mediante votação no parlamento, que visem punição rigorosa - tais como: multas de altíssimos valores e até mesmo encerramento de atividades por tempo indeterminado - às industrias, que, de alguma forma, compactuam com a obsolescência programada dos aparelhos eletronicos, com o intuito de diminuir não só a lógica capitalista, mas também a grande massa consumista exposta na sociedade. Dessa maneira, a obsolescência programada deixará de ser um empecilho no que se concerne um Brasil mais justo.