Perigos da obsolescência programada
Enviada em 04/05/2022
No livro “Modernidade Líquida” do sociólogo Zigmunt Bauman, é retratada as relações líquidas percebidas após a Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, observa-se que as relações sociais, econômicas e a produção tornaram-se frágeis e findáveis, já que estão baseadas na lógica capitalista de consumo. Dessa forma, a redução de vida útil dos bens produzidos corrobora com todo o ciclo desse sistema econômico, uma vez que a substituição será realizada em período preestabelecido. Em decorrência disso, os proprietários dos meios de produção terão seus lucros aumentados e o número de descartes desses produtos serão ampliados na mesma velocidade.
Primeiramente, é importante destacar que o aumento da produção de bens a partir da Revolução Industrial foi proporcional à ampliação do consumo por parte da população. Para potencializar esse ciclo, surge em 1924, o cartel Phoebus, de acordo com a revista New Yorker, com o objetivo de ampliar os lucros dos detentores dos meios de produção, através da limitação da durabilidade da lâmpada incandescente. Tal ação possibilitou concentração de renda desses empresários e, por sua vez, o aumento da desigualdade social.
Por conseguinte, o aumento da produção desses insumos gerou também a maximização dos descartes desses bens. Tal ação tem efeito negativo para o meio ambiente, uma vez que, além de aumentar a demanda de recursos naturais, acarreta aumento da produção de lixo. Atualmente, um dos destinos desses dejetos são países africanos, por exemplo, Gana, que sofre com contaminação de alimentos por substâncias prejudiciais à saúde, advindas de descarte incorreto de equipamentos tecnológicos de continentes Europeu e Americano.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para reduzir o cenário atual. Urge que o Poder Legislativo reformule o sistema tributário, visando aumentar a arrecação por parte dos detentores dos meios de produção, afim de criar políticas públicas que amenizem a desigualdade social. Ademais, deve ser feita a estimulação, pelo Ministério do Meio Ambiente, através de campanhas publicitárias nas redes sociais, do descarte correto dos lixos e de seus impactos para o meio ambiente.