Perigos da obsolescência programada
Enviada em 27/10/2022
Durante a crise de 1929 nos Estados Unidos, diversas empresas começaram a estipular um prazo de vida útil para que seus produtos caíssem em desuso e, dessa forma, induzirem a população a comprar um modelo atualizado. Embora quase um século tenha se passado, a sociedade brasileira ainda lida com os perigos presentes na questão da produção de eletrônicos com obsolescência programada. Nesse sentido, o problema persiste devido não só ao consumismo, mas também à falta de infraestrutura para o descarte adequado.
Convém ressaltar, a princípio, que o consumo exarcebado é um fator determinante para a persistência do problema. Dessa forma, o conceito de “sociedade de consumo” se mostra relevante, pois é uma ideia utilizada para descrever a sociedade que se designa pelo consumo compulsivo. Tal conceito é diretamente associado à questão da redução gradativa da vida útil, uma vez que os fornecedores estipulam o prazo de validade de um produto, para em que um curto período de tempo, os consumidores sejam incentivados a substituir suas versões. Desse modo, observa-se um incentivo ao consumo massivo e impulsivo de bens.
Em consequência disso, surge a falta de investimento para o descarte adequado, algo que intensifica a poluição causada pelo lixo eletrônico no país. Segundo dados do Tesouro Nacional, atualmente o dinheiro direcionado para a infraestrutura apresenta-se como o menor dos últimos anos. No entanto, sem o sistema correto para a coleta, o lixo despejado de maneira errônea continuará contaminando o solo, a água e o ar devido aos metais pesados presentes em sua composição, substâncias extremamente nocivas a saúde humana.
É evidente que, de modo urgente, ações devem ser tomadas. Como solução, é preciso que o Poder Legislativo por meio da Câmara dos Deputados, elabore medidas para impedir que as indústrias vendam seus produtos com a eficiência sabotada, a fim de evitar o desuso prematuro dos aparelhos e conter o consumismo compulsivo. Além disso, os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, devem focalizar investimentos em infraestruturas para o descarte adequado de resíduos eletrônicos, e assim, reduzir a contaminação da natureza. Espera-se com essas medidas, frear os perigos da obsolescência programada.