Perigos da obsolescência programada
Enviada em 20/03/2024
O sociólogo francês Pierre Bourdieu descreveu a “Violência Simbólica” como uma agressão não física que se manifesta na diferença de poder entre os grupos sociais, na qual os que possuem mais poder e influência atuam como opressores. Em vista disso, é notória a ideia de que a população brasileira sequer imagina que sofre uma violência silenciosa, disfarçada de troca justa. Na sequência, é necessário discutir acerca da ganância das corporações e da participação da mídia, como principal influenciadora do consumismo.
Em primeiro plano, a obsolência programada tem terra fértil no individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade pós-modernista é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, observa-se que as corporações de diversos ramos importam-se mais com o lucro do que com o meio ambiente e a população. Ademais, essa liquidez que influi sobre o foco em aumentar as vendas aumenta a destruição da natureza, prejudicando os seres vivos em geral, causando consequências irreversíveis.
Em segundo plano, a população — em seu estado de ignorância — acaba caindo nas armadilhas da mídia, que atua como forma de influência em massa. Assim como ocorria durante a Revolução Indutrial, na qual os jornais buscavam incentivar as pessoas a trabalhar cada vez mais, para juntar dinheiro e aumentar o consumo de objetos desnecessários para a sobrevivência. Diante disso, é notável que a sociedade brasileira — mesmo estando a frente da sociedade presente na Revolução Industrial — continua no mesmo ciclo de trabalho intenso e consumismo desenfreado, criando um ciclo de ignorância e falso contentamento, com a mídia se mantendo como principal ferramenta de incentivo ao consumo, por meio de propagandas enganosas, apelativas e excessivas.
Portanto, é necessário intervir sobre o problema. Para isso, as mídias — principal influenciadora de massas — precisam ser responsabilizadas pela atual sociedade de consumo. Por meio de criação de artigos e entrevistas, resultantes da união de jornalistas e sociólogos, a fim de formar adultos mais conscientes e posicionados, visando esclarecer as consequências do consumo desenfreado e impedir que a ganância das corporações continuem impunes por causa da cegueira da sociedade.