Permanência de deslizamento de terra nas cidades brasileiras

Enviada em 22/05/2025

Os deslizamentos de terra são processos naturais, mas tornam-se mais frequentes em períodos chuvos, os quais têm ocorrido de maneira intensificada por efeito das mudanças climáticas globais. No Brasil, esses eventos ainda tem relação com a ocu-pação urbana desordenada em áreas de risco, especialmente em regiões serranas e em periferias urbanas. Dentro desse contexto, em 2024, o Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden) bateu recorde de alertas emitidos, dos quais mais da metade estavam associados a riscos reológicos, como deslizamentos de terra. Frente a isso, é imprescindível que o poder público se atente para a per-manência desses episódios em locais à margem dos investimentos infraestruturais.

É relevante abordar, inicialmente, que há uma negliência persistente por parte go-vernamental diante da situação habitacional da parcela mais prejudicada pelo in-chaço urbano. Nesse sentido, o problema do crescimento desenfreado e social-mente excludente é aumentado pela falta de controle, fiscalização e prevenção das autoridades políticas quanto à ocupação de regiões sem segurança pedológica. Esse descaso pode ser exemplificado pela atual conjuntura do Cemaden, órgão responsável por monitorar e alertar a população e os governantes sobre desastres como os movimentos de terra. Segundo o Jornal Estadão, o aparato conta hoje com menos de cem servidores, não obtém reajuste de orçamento desde 2019 e está in-suficiente em equipamentos, tudo isso enquanto precisa suprir demanda nacional.

Em segundo lugar, destaca-se a importância da educação ambiental e geológica da sociedade civil e dos representantes políticos. Isso porque a geografia física aponta que a manutenção da cobertura vegetal em encostas protege contra esse fenôme-no, pois aumenta a fixação do solo pelas raízes, o que evita que a erosão pluvial mova massas de terra. Além disso, a vegetação contribui para a infiltração da água no substrato, impedindo que ele se torne saturado com a chuva intensa e ceda.

Logo, é urgente que os agentes governamentais estudem as causas e os impactos desse tipo de desastre, com o intuito de elaborar medidas de prevenção e redução de da-nos. Para isso, o Governo Federal deve, por meio do destino de verbas exclu-sivas para esse fim, dar suporte e orientação aos municípios com risco geológico iminente. Assim, será possível lidar com o problema de fato, e não mais ignorá-lo.