Permanência de deslizamento de terra nas cidades brasileiras

Enviada em 25/05/2025

A Constituição Federal de 1988 define os direitos e deveres dos cidadãos e do Estado. Entretanto, nem sempre esses deveres são cumpridos. A recorrência de deslizamento de terras nas cidades brasileiras demonstra a negligência do poder público perante o planejamento urbano e à garantia do direito à moradia segura. Esses eventos continuam a provocar mortes, destruição de casas e famílias, especialmente nas periferias das grandes cidades.

Primeiramente, um dos principais fatores que contribuem para a permanência dos deslizamentos é a ocupação desordenada da população em encostas e áreas de risco. Apesar de o Estado ter o dever de garantir moradia digna e segura, a ausência de planejamento urbano adequado e de fiscalização obriga milhares de brasileiros a construírem suas casas em áreas de risco, onde o solo é instável e o escoamento de água da chuva é precário. De acordo com o Ministério da Integração, quase 4 milhões de pessoas vivem em áreas de risco no Brasil, o que evidencia a dimensão do problema e o agravamento desse cenário.

Em segundo lugar, a negligência histórica do Estado na prevenção de desastres naturais contribui para a repetição dessas tragédias. A falta de políticas efetivas de prevenção, contenção de encostas e drenagem evidenciam o descaso com as populações vulneráveis. Mesmo após episódios fatais, como os ocorridos na Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, muitas medidas emergenciais são tomadas de forma paliativa, sem ações estruturais de longo prazo.

Portanto, para enfrentar a permanência de deslizamentos de terra nas cidades brasileiras, é essencial que o poder público municipal, estadual e federal atuem em conjunto promovendo políticas públicas de habilitação segura, contenção de encostas por meio de investimento em infraestrutura, mapeamento de áreas vulneráveis e realocação segura de famílias em áreas de risco. Assim, somente com ações preventivas e efetivas será possível evitar que novas tragédias se repitam e garantir o direito à vida e à segurança de todos os cidadãos. Desse modo, o Estado cumprirá seu dever constitucional, assegurando direitos básicos da população e promovendo justiça social.