Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 09/03/2024
O livro “A rainha vermelha”, da escritora norte-americana Victoria Aveyard, faz referência à política do pão e circo, onde a autora descreve uma sociedade marginalizada e insatisfeita com a monarquia, enquanto os políticos organizam espetáculos em arenas e incentivam os plebeus a torcerem em troca de comida. Nesta perspectiva, o falso entretenimento é um subterfúgio para apaziguar os cidadãos e fazê-los ignorar a instabilidade social, política e financeira que assola o país. Similarmente à obra literária, o governo brasileiro ainda se beneficiam da política do pão e circo visando distrair os cidadãos de problemas como desigualdade social e abuso de poder estatal.
Na conjuntura vigente, o IBGE aponta mais de 60 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, sem acesso aos seus direitos fundamentais. Por outro lado, auxílios implemetados pelo governo e direcionados à essas pessoas objetivam ocultar a desigualdade social em que o grupo está inserido. Entretanto, os benefícios não são capazes de suprir as necessidades básicas ou melhorar a qualidade de vida de um indivíduo financeiramente vulnerável, pois são inferiores ao valor de um salário mínimo no Brasil.
Ademais, as autoridades políticas são vistas como figuras imbatíveis pela maioria dos oprimidos, uma vez que o abuso do poder público se faz tão onipresente atualmente que é passado aos cidadãos como algo natural. Por conseguinte, o Estado usufrui de mecanismos de manipulação por meio do oferecimento dos auxílios, evidentemente insuficientes, visando normalizar a miséria e impedir revoltas contra o governo, acarretando a permanência do pão e circo no Brasil.
Depreende-se, portanto, que cabe ao governo federal, por meio do STF (Supremo Tribunal Federal), reconhecer as vulnerabilidades enraizadas na sociedade e promover oportunidades de emprego justas e equitativas, tornando a população de baixa renda independente de auxílios e distrações para enfrentarem as possíveis dificuldades, alcançando então o pleno exercício da cidadania.