Permanência do "pão e circo" no Brasil

Enviada em 08/03/2024

A política do “pão e circo” nasce em Roma como forma governamental de alienação populacional, à época, seu uso visava impedir que o povo se revoltasse com a falta de políticas públicas que asseguram-lhes direitos. Cenário anacrónico, porém compatível com a realidade da política brasileira que usa de meios semelhantes para desinformar e criar óbices ao exercício de direitos dos seus.

Em primeiro lugar, é importante recordar quais as raízes da administração pública brasileira, sendo essas patrimoniais. A estrutura patrimonialista não diferencia o bem público dos bens privados, vendo na administração uma extensão da esfera pessoal, inclusive usando dela para perseguir objetivos e ganhos próprios em detrimento do interesse público. Tal atitude do administrador público é um óbice ao exercício de direitos pelos administrados, sendo próxima a do imperador romano.

Ademais, as consequências do cenário patrimonialista perpassam a esfera individual e alcançam a coletividade, evidência disso é a fuga da realidade por meio de telas. Diante disso, programas que exibem o cotidiano de pessoas comuns vivendo em reality shows apresentam aceitação massificada do público. Porém, tais entretenimentos representam uma forma de idealizar uma vida para quem está assistindo e paralelamente, criar uma bolha para a realidade, gerando um cidadão apático - aquele que não vai de encontro ao poder público para cobrar medidas para concretizar direitos.

Portanto, fica claro a utilização de uma moderna política romana, a qual se apresenta nas práticas individualistas daqueles que compõem a administração. Para combatê-la , é dever do Ministério da Transparência e Fiscalização junto a auditores fiscais realizar cursos de formação nas unidades administrativas,mediante práticas educativas proativas e debates sobre a utilização do patrimônio público, com os gestores e demais funcionários. Tal ação terá como efeito imediato a separação entre público e privado, informando os alunos das sanções aplicáveis caso haja desvio da finalidade. Ademais, as medidas educativas devem se estender aos cidadãos, através de propagandas, formuladas por ambos agentes, sobre a prerrogativa de exigir transparência dos atos públicos.