Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 13/08/2024
O filósofo contemporâneo Michel Foucault acreditava que o poder antecede o saber. Análogo a isso, é a incontestável presença do pão e circo, como fenômeno que molda as políticas de contingenciamento de crises financeiras e governamentais no Brasil. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude do legado histórico e da falta de discussão na base educacional.
Primeiramente, é necessário evidenciar que o Brasil passou por períodos históricos turbulentos e com forte desrespeito aos direitos humanos. Por exemplo, durante a ditadura militar de 1964, o regime utilizou a máxima ‘Brasil, ame-o ou deixo-o", para apelar as emoções das pessoas invés da razão. Levando a falta de questionamento crítico nas decisões governamentais, além de interferir no discernimento do que é justo ou não das mesmas.
Ademais, há também lacunas no processo educacional da sociedade em que há uma diminuição na importância do ensino de processos revolucionários que impactaram a construção das sociedades ao longo da história. Isso se reflete na letra do Hino Nacional Brasileiro, em que as contribuições do povo não são retratadas na canção assim como ocorre nos hinos franceses e americanos. Dessa forma a doutrinação da coletividade acontece de forma dissimulada, ao provocar, por exemplo, a indignação com participantes de um reality show no Brasil em março de 2024 em vez de problemas reais, como o protesto contra a reforma da previdência na França.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse problema. Para que isso ocorra, o MEC deve atualizar a Base Nacional Comum Curricular para incentivar o autoconhecimento, por meio de dicussões e palestras em escolas sobre a contribuição de cada povo para história do país, com o objetivo de elucidar a influência da participação nas escolhas políticas. Além disso, é possível fomentar o interrese populacional pelo tema, ao financiar eventos em comemorações a datas festivas a revoluções e outras revoltas.