Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 10/03/2024
A política do “pão e circo”, nasceu em roma, como mecanismo estatal de alienação populacional, seu uso visou o entretenimento do povo a fim de que não existisse revolta com a deficiência de políticas públicas da época. Cenário semelhante e anacrônico existe no Brasil, tanto na Administração Pública e suas raízes patrimonialistas, quanto nas formas de distração as quais a população recorre para fugir da condução personalizada da máquina estatal - que impossibilita o exercício de direitos de muitos e nega-lhes cidadania.
Em primeiro lugar, é preciso recordar as raízes patrimonialistas da Administração e quais são suas consequências a adentrar na esfera coletiva. Logo, a principal característica do sistema é a confusão patrimonial entre público e privado, de forma que ambas as esferas tornam-se uma só. Tal atitude dos administradores é um óbice ao exercício de direitos pelos administrados, pois a ação cotidiana dos agentes não visa o bem público, mas sim a sua esfera particular e de seus agregados. Logo, as atitudes de quem guia o aparelho administrativo é similar a imperador romano quando discrimina a quem garantir direitos.
Diante desse cenário, a população procura refúgio nas telas - representam forma massificada de fuga - assistindo o dia à dia de homens e mulheres em reality shows nas atividades mais cotidianas possíveis, como por exemplo alimentação, diálogo, discussões, etc. Entretanto, tais entretenimento representam um meio de idealizar a vida para quem assiste, e em paralelo criar uma bolha de proteção da realidade que vive, gerando um cidadão apático às falhas do governo, e por conseguinte estabilidade para a estrutura social de privilégios.
Portanto, é evidente a utilização de uma moderna política romana nas práticas individualistas daqueles que compõem a Administração. Para combatê-la é dever do Ministério da Transparência e Fiscalização, junto a auditores fiscais, realizar cursos de formação nas unidades administrativas, mediante práticas educativas e debates sobre ética na utilização do patrimônio público, com gestores e demais. Tal ação terá efeito imediato na distinção entre público e privado, informando os alunos das sanções aplicáveis caso haja desvio de finalidade da coisa pública. Ademais, essas devem alcançar os cidadãos como recurso a criticidade.