Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 11/03/2024
Denomina-se “pão e circo” a política desenvolvida na Roma antiga de entre-ter a população com grandes festas, eventos e banquetes com objetivo de evitar reivindicações e levantes populares. É nesta perspectiva que a política do “pão e circo” é permanentemente estimulada no Brasil por obstruir as lutas sociais, seja por causar alienação, seja por naturalizar das desigualdades sociais. Prova disso foi o grande enfoque nos casos de vandalismo nas passeatas contra a corrupção em 2013, ao invés do enfoque do que aquilo significava para o país.
Neste sentido, a manutenção da política do “pão e circo” é oportuna, pois retira a atenção das pessoas sobre os verdadeiros problemas sociais por meio da alienação. Acerca disso, a alienação é peça essencial na contenção das reivindica-ções da sociedade, porque para Milton Santos, “existem apenas duas classes so-ciais, as dos que não comem e as dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem”. Assim, a preservação do “pão e circo” é fundamental para abafar as questões sociais e retirar a atenção do problema, a exemplo do rumor de que o Brasil iria se tornar comunista por tentar realizar a reforma agrária em 1964.
Ademais, a continuidade desse sistema que perpétua as disparidades sociais por naturalizar questões, como a fome, a miséria e a probreza, e por conseguinte, provocar aceitação dos indivíduos diante de tais fatos. Em razão, do sensacionalis-mo provocado, principalmente, pela mídia banalizar situações extremamente gra-ves no país, como a pobreza com a superexposição pessoas pobres sendo retrata-das de maneira esteriotipada e negativa. Sob essa óptica, a persistência dessa polí-tica é o que dessensibiliza os indivíduos diante de injustiças sociais, como ressalta a poetisa Ivone Boechat, quando diz que o homem tem mãos para alcançar as estre-las e não consegue alcançar o menino abandonado do outro lado da rua.
Portanto, a conservação do sistema de “pão e circo” no país é o que impede a promoção de uma sociedade verdadeiramente igualitária. Então, cabe ao Minis-tério das Comunicações alertar a sociedade sobre a capacidade da mídia de bana-lizar problemas sociais por meio de campanhas informativas nos meios de massa e digitais. Ainda, cabe aos indivíduos diversificar seus meios de informação para evi-tar que fatos reais sejam encobertos por assuntos polêmicos e sem relevância.