Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 25/03/2024
Definido pelo autor romano Juvenal, o termo “pão e circo” descrevia a decadência generacional desse povo, que deixou de priorizar seus deveres cívicos para aceitar suborno do Senado, na forma de políticas de bem-estar social e grandes eventos circenses, distraindo os cidadãos dos problemas sofridos por aquela sociedade. Infelizmente, essa estratégia é ainda mais efetiva nos dias atuais, principalmente quando junta-se a baixa qualidade da educação nacional e o fácil acesso ao entretenimento vazio proporcionado pelos smartphones.
Primeiramente, a situação precária do nosso sistema de ensino não incentiva a leitura e escrita, e portanto, não encaminha os jovens à formação do senso crítico: o antídoto para essa política maquiavélica. Adicionalmente, a cultura do Brasil valoriza demasiadamente eventos como o Carnaval e jogos de futebol, cuja similaridade com os circos da Roma Antiga não é uma mera coincidência. Por fim, a educação insatisfatória somada à pressão cultural, fomentam um futuro anti-intelectual, que valoriza o lúdico ao invés da justiça e da prosperidade.
Ademais, o fácil acesso a distrações banais providenciado pelos smartphones exacerba ainda mais a eficácia dessa tática. De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2023, haviam 1.2 celulares para cada brasileiro que, por meio da internet, dão acesso a uma quantidade infinita de diversão. Além do mais, os pais irresponsáveis usam esses aparelhos para pacificar os seus filhos, acostumando-os desde cedo a valorizar o prazer e tornando-os mais suscetíveis ao pão e circo.
Em suma, antes que a república se degenere em uma “idiocracia”, é necessário acabar com a barbarização das crianças, semeando o senso crítico para que elas possam enxergar o perigo do entretenimento vazio. Contudo, devido ao interesse do Governo em manter o status quo, somente as edutechs podem resolver esse problema, através da criação de plataformas online de ensino que, pela sua capacidade de distribuição em massa, conseguem ser oferecidas a preços acessíveis. Mesmo parecendo uma tarefa impossível, deve-se lembrar que a mesma estratégia foi recentemente empregada pelas fintechs, que conseguiram, em menos de uma década, derrubar o monopólio dos grandes bancos.