Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 16/03/2024
Soluções paliativas a problemas estruturais marcam a história do Brasil. O “pão” como alusão à satisfação de necessidades imediatas da população se expressa através do clientelismo. Outrossim, o “circo” necessário à satisfação dos desejos desta população se torna viável a partir de limites turvos entre coisa pública e privada (patrimonialismo). A simbiose de interesses entre a elite político-econômica funciona como oxigênio à lógica administrativa do pão e circo nas instituições. livro “A No livro a Elite do Atraso”, o sociólogo Jesse de Souza desfez o mito sobre os interesses antagônicos entre burocratas e detentores do capital no Brasil. Para ele, o poderio econômico e o poderio político têm interesses em comum na defesa seus privilégios e em detrimento ao desenvolvimento nacional. O mecanismo de “corrupção à brasileira” se expressa no âmbito economico por decisões que objetivam um lucro rápido esvaziado de propósito naciomal. A Elite política sustenta esta lógica pelo clientelismo e pelo patrimonialismo.
Ao atuarem como um só organismo, as classes mandatarias impedem reformas de base essenciais ao real desenvolvimento nacional. Para a população, o “pão” e o “circo” figuram como subornos que fazem da cidadania moeda de troca.
Reduzir os rumos do Brasil ao pão e circo é prática arraigada e legado lusitano. A substituição das importações exemplifica. Ineficaz e tardia, foi medida emergencial para suprir o vácuo dos manufaturados importados durante a Segunda Guerra Mundial. A morosidade da elite econômica sudestina em investir na indústria nacional legou-nos a pobreza tecnológica e esta resultou em empobrecimento da economia e na ausência de estímulos à qualificação da mão de obra. No ensejo, grupos políticos se consolidavam no poder e não pleiteavam por projetos econômicos consistentes.
O “pão e circo” será superado no Brasil no ascensão ao Poder daqueles a quem a corrupção institucional tenta obliterar: a população. Aumentar o fomento político-orçamentario aos movimentos sociais pode democratizar a tomada de decisões. Restaura-se o valor da cidadania quando o povo retoma seu protagonismo político.