Permanência do "pão e circo" no Brasil

Enviada em 21/03/2024

Diante da crise da república na Roma Antiga, o imperador Otávio Augusto estabeleceu a política do “pão e circo”, a qual consistia em um controle das camadas populares mediante a distribuição de alimentos e a promoção de eventos culturais. Embora passados muitos séculos, essa prática possui, infelizmente, semelhança com o cenário político atual do Brasil. Diante disso, a alienação promovida pela permanência do “pão e circo” decorre do silenciamento midiático, bem como do individualismo presente na sociedade.

Em primeira análise, o negligenciamento da mídia é uma das causas da persistência da abstração dos brasileiros no campo político. Segundo os filósofos da escola de Frankfurt, a arte é convertida em objeto de dominação para as classes populares. Dessa forma, a mídia omite a situação plena do país e destaca os eventos culturais e esportivos, mascarando a realidade. Isso pode ser explicitado pela comoção televisiva da copa do mundo FIFA em 1966 enquanto a ditadura militar estava vigente. Assim, a arte continua sendo transformada em mercadoria pelos governantes brasileiros.

Ademais, o individualismo acentua essa problemática. Isso porque, segundo Aristóteles, a ética é a busca pelo bem comum, sendo ela e a política inseparáveis. Nesse sentido, o filósofo grego via o governo de interesses particulares como antiético. Entretanto, nota-se que a espetacularização na criação de programas socias voltados às massas populares a fim de garantir direitos básicos como alimento, moradia e lazer é uma ferramenta política para a eleição. Sendo assim, o governo brasileiro atua de maneira individualista em prol de interesses próprios.

Depreende-se, portanto, a necessidade de remediar esses fatores. Para isso, é imprescindível que a mídia nacional, por meio de quadros informativos diários sobre os parâmetros de IDH, qualidade de vida, educação e renda, atue como ferramenta informacional para os brasileiros deixarem de ser alienados politicamente. Além disso, o Ministério da Educação deve implementar aulas de ética na BNCC da educação infantil a fim de educar as crianças para uma política mais coletiva conforme a ética aristotélica. Assim, com essas ações concretas, a prática do “pão e circo” será interrompida no Brasil.