Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 01/04/2024
Durante o período da Roma antiga, o imperador Otávio Augusto implementou métodos de controle social, desviando o foco dos problemas econômicos e sociais da época, enfeitando a miséria, a pobreza, a desigualdade e a fome, rotulando-as como “naturais”. A política do Pão e Circo de Otávio baseava-se primordialmente na distribuição de pão gratuito e eventos de gladiadores no Coliseu, tais eventos podiam se estender por meses e eram cruciais para o vínculo do imperador com as massas, assim como para a exaltação do mesmo.
Em nossa sociedade contemporânea, vemos a persistência desses parâmetros, embora em formas atualizadas. Não precisamos mais nos expor a longos períodos de entretenimento em um único local, como o Coliseu, pois a distração vai ao encontro do povo. As batalhas entre gladiadores e as corridas de bigas dão lugar aos showmícios, ao futebol, e ao Carnaval, que em parceria com a mídia de massa, a população se torna dócil e manipulável, inclinando-se para quaisquer atividades que amenizem a dura realidade das engrenagens do sistema.
Deste modo, levando em perspectiva uma visão mais ampla do período histórico romano, Augusto não só utilizava destes eventos como uma estratégia de entretenimento, mas como uma maneira de consolidar seu poder e distrair a população das questões sociais iminentes.
Em vista disso, é correto afirmar que em nossa sociedade atual, cuja estrutura padrão se baseia na ocultação dos fatos e entraves sociais, onde a perpetuação do “pão e circo” é parte vital da vivência populacional, apenas enfatiza a necessidade de “estourar” a bolha social e levantar o véu que não apenas limita a liberdade, mas também apresenta uma iminente demanda por ação e responsabilidade. Segundo o filósofo Karl Marx, a religião é o ópio das massas, hoje, o “circo” se tornou a religião.