Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 23/03/2024
Na obra literária brasileira “A palavra que resta”, Raimundo, homem gay do interior, após sair de sua vil realidade, decide aprender a ler para entender seu passado. Do enredo literário à realidade, notam-se mazelas sociais, margeadoras da desigualdade, assistidas pelas desinformação popular e ingerência do Estado. A luz dessa lógica faz-se perceptível a má distribuição de conteúdos midiáticos e a falha alfabetização política dos estudantes.
Assim como no univerno distópico de George Orwell, onde todo conteúdo consumido é projetado e bem pensado pelo Grande Irmão, na sociedade brasileira não é estritamente heterogênea a forma de aplicação da mídia. A utilização de “cortinas de fumaça” para o acobertamento de notícias relevantes, como investimentos suspeitos e guerras, é comum e normalizada. Dessarte, a desinformação da população se torna rotineira, assemelhando-se, a cada dia, com o cenário de Orwell.
Segundo a perspectiva de Paulo Freire, importante educador brasileiro, a leitura de mundo precede a leitura de palavra. No entanto, no cenário educacional do Brasil no século XXI, o que afere-se é uma população sem leitura de mundo, dada pela falta de aulas sobre atualidades e pensamento crítico. Similarmente à população romana, enganada no século V por influência da “política do pão e circo”, que entretia o povo, mas mascarava sua realidade e sequer dava-lhes meios de compreensão crítica da sociedade.
Dado o exposto, cabe ao Ministério da Cultura, responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas de educação cultural, criar canais de transmissão de notícias relevantes e de fontes seguras, a fim de amenizar a desinformação causadora da permanência do “pão e circo” no Brasil. Dessa maneira trazendo melhores vivências para Raimundos no interior dos estados brasileiros.