Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 02/04/2024
Durante o Império Romano, uma estratégia adotada para lidar com a alta taxa de desemprego e pobreza era a implementação da política conhecida como “Pão e Circo”, que consistia em fornecer alimentos e entretenimento por meio de eventos no Coliseu, com o intuito de distrair a população de seus problemas, porém sem oferecer soluções efetivas. Atualmente, no Brasil, também é possível observar essa prática, como por exemplo nos diversos jogos de futebol transmitidos na televisão, e o carnaval que servem como uma forma de escapismo para as pessoas se desligarem temporariamente das dificuldades do cotidiano.
Uma vez que a atenção do público está voltada para o espetáculo, questões urgentes como a desigualdade social, a corrupção e a falta de investimentos em áreas fundamentais como saúde muitas vezes são negligenciadas. Isso pode ser provado de acordo com os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pela Folha de S. Paulo, 47,3 milhões de brasileiros terminaram o ano de 2021 na pobreza, o equivalente a 22,3% da população total.
Além disso, a persistência do “Pão e Circo” no Brasil pode ser observada nas estratégias políticas que visam manter o poder através da manipulação da opinião pública. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Jornal Hoje em dia, quase R$ 25 milhões foram gastos pela prefeitura para o Carnaval de BH. Dinheiro que daria para revitalizar centenas de praças, comprar dezenas de ônibus, reformar e construir centros de saúde.
Contudo, devem ser tomadas medidas para estimular o pensamento crítico da população. Nesse sentido o Ministério da Educação e Cultura deve combater o “Pão e Circo no Brasil”, por meio de estratégias para promover o pensamento crítico. É fundamental que a população esteja ciente dessas estratégias e busque formas de participação cívica e política que promovam uma verdadeira transformação social, baseada na justiça, na igualdade e na dignidade para todos.