Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 02/04/2024
A política do “pão e circo” surgiu na Roma Antiga e consistia no apaziguamento da população, que sofria de fome e desemprego, com distribuição de uma quantia de alimento e realização de eventos artísticos. Uma prática análoga ocorre hoje em dia no Brasil, principalmente por conta da hegemonia burguesa sobre a mídia e da romantização da pobreza. A permanência dessa política deve ser analisada.
Antes de tudo, há hegemonia burguesa sobre a mídia no Brasil. Segundo uma pesquisa de 2021 realizada pela PowerData, 40% da população brasileira se informa pela televisão. Ademais, a televisão é um veículo de mídia que exige muito capital investido para que ele seja possível, capital este que só pode ser obtido a partir de um lucro acumulado que exige a exploração de muitas pessoas, estas que por sua vez precisam ser alienadas para serem exploradas. Por isso, é necessário participação ativa da classe trabalhadora para a conscientização da permanência do “pão e circo”.
Além disso, há uma romantização da pobreza. A estética “poverty chic”, literalmente “pobreza chique”, tem mais 7 milhões de menções no Google. Isso mostra como há banalização do estilo de vida das classes mais baixas, como se elas fossem culpadas por permanecerem na fome e não terem tanto acesso à escolaridade ou saúde. Sendo assim, as massas permanecem entretidas com o “pão e circo” achando que o que acontece com elas é natural.
Logo, a permanência do “pão e circo” no Brasil deve ser questionada. Então, o Ministério da Cultura deve incentivar a criação de material midiático, principalmente vindo da periferia, por meio de investimentos nessas populações para que haja um viés mais popular na mídia. Também, é preciso que o Ministério da Cultura mostre por meio de eventos na internet ou na TV a realidade em áreas não tão favorecidas e de voz a quem passa dificuldade. O povo sabe procurar solução.