Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 13/04/2024
Sabe-se que a política do “pão e circo” consiste em uma tática, que teve destaque no período imperial de Roma, na qual o governo mascara suas falhas através de espetáculos e lançamento de pães aos espectadores. Nesse contexto, entende-se que, atualmente, no Brasil, essa prática desleal ocorre não só nas entidades públicas, mas também nas entidades privadas.
Observa-se que o governo busca tirar o foco de suas faltas através de ações populistas. De fato, o país possui diversos problemas sociais como fome, desemprego e saúde precária, entretanto, ao longo dos anos, não houve avanços significativos no combate a essas dificuldades e a administração, por meio de medidas paleativas, ludibria a população. Exemplo disso é o endividamento dos usuários do FIES, ao invés do Estado buscar melhorar a taxa de desemprego ou alocar no mercado esses graduados em suas áreas de formação, o MEC renegociou a dívida dos estudantes a valores insignificantes em relação ao custo da formação. Tudo isso acarreta popularidade para a gestão, mas não mudou o fato dos elevados índices de desemprego.
Além das entidades públicas, as entidades privadas buscam tirar o foco de suas falhas através de ações populares. Realmente, a iniciativa privada geralmente encontra dificuldades em lidar com questões ambientais e sociais e em alguns casos desrespeita as leis, provocando danos irreversíveis. Basta observar o caso da mineradora Vale que devido a sua negligência, destruiu a cidade de Brumadinho. A empresa busca reparar a perda das famílias com o pagamento de salários e restaurar a fauna e a flora que foram devastadas, porém essas medidas não recuperarão o que foi perdido e a empresa segue com suas operações sem ser devidamente punida.
Por todos esses aspectos, observa-se que a prática covarde do “pão e circo” continua sendo utilizada com uma abordagem atual. Diante disso, é importante a ação de ONGs e o engajamento da população na fiscalização das ações governamentais e privadas a fim de coibir medidas que apenas camuflam os reais problemas. Dessa forma, é possível resolver os problemas na sua origem e não no seu fim.