Permanência do "pão e circo" no Brasil

Enviada em 23/04/2024

Na Roma Antiga, uma estratégia comum dos governantes para fazer o povo se conformar com o “status quo” era a chamada “política de pão e circo”, na qual eram oferecidos à população banquetes e eventos artísticos. Já no Brasil contemporâneo, essa prática ainda se mostra bastante presente, promovendo a alienação do povo e, consequentemente, impedindo-o de reclamar por seus direitos.

A princípio, cabe destacar que a política de pão e circo tem sido recorrente no Brasil desde muito tempo. Em um dos trechos da música “Panis et circenses”, do trio “Os Mutantes”, é dito que “as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer”, simbolizando as famílias tradicionais brasileiras, que, ocupadas demais com suas próprias distrações, não eram capazes de enxergar os problemas que o Brasil enfrentava na época, durante a Ditadura Militar. Assim, por meio da promoção de entretenimento e outras formas de distração, a política de pão e circo vem mascarando os problemas do Estado e alienando o povo brasileiro.

Consequentemente, a população se torna incapaz de lutar por seus direitos, na medida em que não reconhece as estratégias utilizadas pela prática de alienação. Segundo dados expostos pelo Conselho Federal de Administração, o governo brasileiro gastou cerca de 8,5 bilhões de reais na construção de estádios de futebol, no decorrer da copa de 2014, enquanto o país passava por uma crise econômica. Anos depois, a população segue se conformando com problemas socioeconômicos do país. Logo, é importante que o povo saiba reconhecer a política de pão e circo, para que a realidade possa ser transformada.

Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Como foi dito pelo filósofo Confúcio, “Se queres prever o futuro, estuda o passado”. Portanto, para que os padrões da política de pão e circo cessem de se repetir no Brasil, urge que o Ministério da Educação promova, por meio da capacitação de professores, aulas de história que conectem o passado ao presente, desenvolvendo o pensamento crítico de alunos do ensino fundamental e médio. Somente assim, será possível que o povo se liberte da alienação, impedindo a recorrência da política de pão e circo, iniciada na Roma Antiga.