Permanência do "pão e circo" no Brasil

Enviada em 13/05/2024

“A melhor maneira de evitar que um prisioneiro escape é garantir que ele nunca saiba que está na prisão", tal afirmação parte do russo Fiódor Dostoiévski, quanto às medidas estatais sobre uma população alienada. Diante disso, a política de “pão e circo”, que remonta desde a Antiguidade, pode ser analogamente verificada na sociedade brasileira contemporânea. Logo, urge analisar a negligência estatal e o contexto histórico como principais responsáveis pelo revés.

Aliás, no Brasil, essa tática é replicada inúmeras vezes, por exemplo, na República Velha e seu Coronelismo, cujos políticos garantiam votos com troca de favores, manipulações e promessas de benefícios. Na atualidade, o ex-presidente Jair Bolsonaro autorizou a disputa da Copa América em território nacional, durante a pandemia, desviando o foco de um grave problema de saúde pública para a recreação das massas. Embora a prática de esportes e lazer sejam direitos constituicionais, esses têm sido utilizados pelas mídias em prol da alienação social.

Outrossim, a distribuição de benefícios materiais, como programas assistenciais e políticas populista, pode ser utilizada como uma forma de manter a lealdade de determinados grupos sociais. Entretanto, embora essa estratégia possa conter problemas imediatos de pobreza e desigualdade, muitas vezes não aborda as causas estruturais desses, perpetuando um ciclo de dependência e falta de mobilidade social. Dessa forma, perpetua o problema indefinidamente, com cidadãos inertes que não lutam por seus direitos.

Em síntese, as escolas, tanto da rede pública quanto da privada, precisam se responsabilizar pela abordagem desse tema em sala de aula, explorando quais são as causas e consequências dessa cegueira social, com o objetivo de formar adultos mais conscientes e posicionados. Assim, a população poderá desenvolver uma consciência política e reivindicar seus devidos direitos.