Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 09/01/2025
O filme “Gladiador 2” lançado em 2024, retrata a antiga realidade do “pão e circo” em Roma, na qual o governo utilizava o coliseu para gerar luta e entretenimento para a população para disfarçar a situação de miséria e decadência da nação. Sob essa ótica, observam-se situações semelhantes no Brasil, onde a população se mantém entretida para evitar discutir os problemas sociais e estruturais do país. Portanto, percebe-se a atenção constantemente desviada para grandes eventos ao invés de focar em temas como: educação, saúde ou política.
Em primeira análise, é importante salientar que momentos grandiosos são apro-veitados pelos políticos para tomar decisões grandiosas enquanto a população está entretida, desta maneira não há repúdio popular. Assim como ocorreu durante a Copa do Mundo de 2014, durante a euforia causada pelos jogos, foi estrategica-mente aprovada a Lei Geral da Copa, que concedeu isenções fiscais à FIFA e às em-presas envolvidas no evento. Consequentemente, não houve muita comoção, en-tretanto ainda havia críticas à falta de investimento governamental na saúde e e-ducação. Por conseguinte, é notória reutilização do processo do “pão e circo” atual-mente, cordial, mas ainda presente, representando a manipulação social vigente.
Outrossim, vale ressaltar que não são apenas grandes eventos que contribuem para manter esse processo vigente, mas programas também, eles se tornaram uma nova tendência e assuntos importantes viraram obsoletos. Da mesma manei-ra, no ano de 2022, 39 milhões de pessoas acessaram o BBB diariamente, confor-me pesquisa da UOL. Entretanto, no mesmo ano, 32 milhões de habitantes não compareceram ao segundo turno das eleições presidenciais, segundo o G1. Logo, é inadmissível que a sociedade brasileira foque mais em assistir a um reality show do que votar no próximo presidente, representando o desvio de atenção popular.
Diante do exposto, é urgente a criação de medidas públicas que alterem o atual cenário da sociedade brasileira. Posto isto, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com as mídias sociais, criar programas de conscientização política e cida-dania, voltados para o desenvolvimento do senso crítico, por meio do uso de pro-fissionais em política e utilizar as redes sociais para atingir o público jovem. Desta forma, garantindo uma nação informada e resistente a estratégias de manipulação.