Permanência do "pão e circo" no Brasil

Enviada em 29/06/2024

“O Neymar entra em campo e o povo vai à loucura, mas ninguém se importa se na favela vai ter cultura.” A música Brasil Colônia, da Banda Oriente, ilustra como funciona a política do “pão e circo” no país, que distrai a população dos reais problemas através de espetáculos. Dessa forma, a permanência dessa prática no país está relacionada ao individualismo e à ausência de reflexão dos brasileiros.

Deve-se destacar, primeiramente, que o egoísmo é um fator chave para atingir o objetivo dessa prática. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, o ser humano vive sua vida sem se preocupar com os seus arredores, sustentado pelo discurso individualista. Desse modo, não se questiona acerca dos problemas sociais que afetam ao outro, pois está distraído com o que o entretém. Logo, percebe-se que os interesses próprios ficam acima do bem-estar coletivo.

Além disso, a falta de consideração é outro pilar da política do “pão e circo”. Sob essa perspectiva, a filósofa Hannah Arendt conclui que “abdicar de pensar também é crime”. Ou seja, ela atribui a carência de ponderação à uma infração, tendo em vista que isso permite a prática de absurdos que não serão questionados, afinal o povo estará alheio enquanto consome o que lhe é ofertado. Com isso, nota-se a alienação que tal prática pretende promover.

Portanto, para eliminar a permanência do “pão e circo” no Brasil, é necessário que as escolas, com o apoio das famílias, conscientizem os jovens acerca dos malefícios por trás dessa política. Por meio de palestras, ministradas por profissionais capacitados em assuntos políticos, com o objetivo de promover a reflexão desses indivíduos. Assim, continuarão assistindo aos jogos do Neymar, mas também se importarão com a cultura no país.