Permanência do "pão e circo" no Brasil

Enviada em 29/09/2024

Proveniente do Império Romano, a antiga prática do “pão e circo” ainda é amplamente aplicada no Brasil; entretanto, na Roma antiga os governantes utilizavam-se da distribuição de pães para acalmar os famintos e de lutas no grande Coliseu para acalmar as mentes insatisfeitas. Contudo, nos dias atuais essa prática persiste, mudando apenas o cenário e as ferramentas, o que contribui diretamente para a alienação popular, podendo oferecer riscos significativos ao que conhecemos como democracia.

Dito isso, como um dos principais veiculadores atuais dessa manipulação pacífica temos a TV aberta. Nesse sentido, é fácil observar a tragédia como espetáculo nos telejornais, que funcionam como comparação entre a vida daquela vítima e a do espectador, convencendo-o de que “poderia ser pior” e por esse motivo, não há com o que se preocupar. Assim, é fácil observar o crescente número de séries e filmes cada vez mais violentos, reafirmando a declaração do jornalista Leandro Marshall que disse em entrevista “se ‘sangue’ vende, ‘sangrar’ vende muito mais”, revelando mais motivos por trás desse mercado manipulador.

Além do mais, Tais recursos também servem como despolitização da “plebe”, que assim como na antiguidade, quanto mais um indivíduo está engajado em distrações, menos cientes estarão de seus direitos e do que acontece no cenário político do país. Um exemplo disso são os reality shows, como o BBB por exemplo, onde “personagens” são assistidos diariamente e sua ética pode ser julgada pelos espectadores como maneira de se comparar, se envolver e acompanhar a evolução do protagonista, engajando seu tempo nas redes sociais e nas rodas de conversa, sobre o assunto.

Desse modo, é seguro afirmar que faz-se necessário maior atenção dos chefes de família, para os conteúdos que estão levando para seu convívio dentro do lar. É preciso dialogar sobre o tempo de exposição a certos conteúdos, introduzindo a importância da politização e oferecendo acesso a informações e programas de TV que informem e ensinem sobre a política. Dessa maneira, a alienação poderá ser rompida e passada para as próximas gerações, evitando que a democracia se perca nesse picadeiro de palhaços mal intencionados.