Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 08/10/2024
Em que ponto o entreterimento deixa de ser uma distração saúdavel e passa a propagar a ignorância? Seria o momento no qual o indivíduo escolhe o filme não porque é engraçado, mas porque as notícias foram substituídas por ele, ou no momento em que o filme é criado? Conhecida como tática política efetuada para privar os cidadões de um espaço mental para regar opiniões próprias sobre o estado atual de sua sociedade, “pão e circo” não se resume apenas à Roma Antiga.
A abertura da copa de 2022, que ocorreu sobre a morte e ferimentos de indivíduos, seria um exemplo primordial de algo exuberante roubando os holofotes de tragédias, ou o “circo” em termos atuais. Entretanto, é importante entender que o problema não está na existência do entreterimento como distração, mas sim o motivo pelo qual a distração foi criada em primeiro lugar. Um evento realizado com intuito de unir países e indivíduos se torna uma forma de desarmar os cidadadões e os impedirem de iniciar pensamentos e opiniões de até mesmo como aquele evento em especifico foi organizado.
Ressalta-se, porém, que a política do pão e circo não se resume a momentos grandiosos, mas está presente até mesmo no indivíduo comum de forma intrísica.
O cidadão que ao escutar uma piada em relação ao estado em que o país se encontra, a acha engraçado, pois já foi plantado em sua mente que a naturalização e glamorização do assunto é algo normal. As piadas são as distrações, e elas são consumidas cada vez mais como um pedaço de pão, visto que, é mais fácil engolir o que se conhece, do que se arriscar provando do pensamento próprio.
No entanto, esse ato de naturalização não se inicía com o indivíduo, mas com o governo e mídia do país, que usa distrações não como forma de relaxamento e sim como controle. O questionamento que surge é: seria viável acreditar que um Estado abriria mão de controle? Posto isto, a melhor opção para evitar que cidadões sejam influenciados e cegados seriam lhes ensinar antemão desde o primeiro contato com a matéria de história que o termo “pão e circo” ser usado atualmente não é um anacronismo, e as semelhanças entre a Roma Antiga e o Brasil atual não são coincidências, mas uma tática política propositalmente cultivada para distrair um país não possui o privilégio de ser distraído.