Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 30/10/2024
Promulgada em 1988, a Constituição Federal (CF) vigente determina deveres e direitos aos cidadãos para uma democracia digna ser alcançada. Entretanto, a permanência do “pão e circo” no Brasil e suas consequências, como a alienação popular e assim o não exercício da cidadania, interferem na harmonia do Estado brasileiro. Dessa forma, é necessário enunciar os pilares da adversidade: o desvirtuamento governamental e o fator social.
Diante desse cenário, é preciso explorar o fator governamental e suas implicações na temática. De acordo som as palavras do sociólogo francês Bourdieu, não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico. Sob tal perspectiva, a passividade na reflexão do poder estatal sobre o não cumprimento do dever de garantir a todos a boa qualidade de uma vida digna, e sim executando uma tentativa de alienação através da naturalização das desigualdades, destoa das ideias do sociólogo e, com isso, forma um Estado ausente de autocrítica, a qual viola o dever da Constituição.
Ademais, convém destacar a engrenagem social. A esse respeito, o filósofo Émile Durkheim apresenta os fatos sociais como padrões de comportamento que influenciam as ações e pensamentos das pessoas. Com isso, a permanência da tática romana do “pão e circo” é perpetuada por indivíduos que, estando alienados, não reinvidicam seus direitos e o cumprimento dos deveres estatais enquanto cidadãos do país e constatam a tese do autor. Dessa maneira, é inadmissível a falta de consciência coletiva da sociedade frente a esse viés.
Portanto, com o objetivo de sanar o impasse criado por essa tática política, é dever dos cidadãos, enquanto críticos do governo, usufruírem das mídias como mecanismos de propagação de informações e ações que gerem a interação dos indivíduos, visando mudanças nos fatos sociais que gerem a realidade brasileira e exigindo o fim do desvirtuamento governamental. Assim, a permanência do “pão e circo” no Brasil não será mais um problema.