Permanência do "pão e circo" no Brasil
Enviada em 10/01/2025
O filme “Gladiador 2”, lançado em 2024, retrata a antiga realidade da política do “pão e circo” em Roma, na qual o governo utilizava o Coliseu para gerar lutas e en-tretenimento que mascaravam a miséria e a decadência da nação. De forma aná-loga, no Brasil contemporâneo, observa-se que grandes eventos e programas de entretenimento são frequentemente usados como estratégia para desviar a aten-ção da população de problemas sociais, como a precariedade na educação, saúde e política, perpetuando uma forma atualizada da política do “pão e circo”.
Em primeira análise, é importante salientar que momentos grandiosos são apro-veitados pelos políticos brasileiros para tomar decisões grandiosas enquanto a po-pulação está entretida, desta maneira não há repúdio popular. Assim como ocor-reu durante a Copa do Mundo de 2014, durante a euforia causada pelos jogos, foi estrategicamente aprovada a Lei Geral da Copa, que concedeu isenções fiscais à FIFA e às empresas envolvidas no evento. Consequentemente, não houve muita comoção, entretanto ainda havia críticas à falta de investimento governamental na saúde e educação. Por conseguinte, é notória reutilização do processo do “pão e circo” atualmente, representando a manipulação social vigente.
Outrossim, vale ressaltar que não são apenas grandes eventos que contribuem para manter esse processo vigente, mas programas também, eles se tornaram uma nova tendência e assuntos importantes viraram obsoletos. Da mesma manei-ra, no ano de 2022, 39 milhões de pessoas acessaram o BBB diariamente, confor-me pesquisa da UOL. Entretanto, no mesmo ano, 32 milhões de habitantes não compareceram ao segundo turno das eleições presidenciais, segundo o G1. Logo, é inadmissível que a sociedade brasileira foque mais em assistir a um reality show do que votar no próximo presidente, representando o desvio de atenção popular.
Diante do exposto, é urgente a criação de medidas públicas que alterem o atual cenário da sociedade brasileira. Posto isto, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com as mídias sociais, criar programas de conscientização política e cida-dania, voltados para o desenvolvimento do senso crítico, por meio do uso de profis-sionais em política e utilizar as redes sociais para atingir o público jovem. Desta for-ma, garantindo uma nação informada e resistente a estratégias de manipulação.