Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 15/10/2019
A Revolução Técnico-científica Informacional transformou os meios de comunicação e possibilitou a ascensão da internet como principal canal de informação. Diante disso, novas formas de educação se estabeleceram e o ensino a distância se tornou uma alternativa para permitir o acesso de mais indivíduos ao sistema educacional. No entanto, há desafios nesse âmbito, os quais se encontram na exclusão digital dos setores mais pobres e na escassa interação social existente nas plataformas online, fatores que unidos, interferem no aprendizado e no bem-estar social das pessoas no século XXI.
Nesse contexto, é possível analisar que parte da população brasileira não tem acesso ao ensino à distância. Embora a Constituição Federal de 1988 garanta a educação como direito fundamental à todos, essa teoria não corresponde a realidade, uma vez que não há iguais oportunidades de instrução pedagógica para a população, ainda que em meio virtual. Assim, seja pelo limitado poder de compra de aparelhos eletrônicos, seja pela falta de redes de internet em locais distantes dos centros urbanos, a classe pobre e interiorana não consegue se inserir nessa nova possibilidade de ensino educacional a nível médio e superior, haja vista a escassez de condições de adquirir os meios necessários para obter esse aprendizado. Logo, são excluídos tanto do meio digital quanto da educação formal no Brasil.
Além disso, as redes de ensino online limitam a comunicação entre alunos e professores. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade moderna é feita de relações superficiais. Dessa maneira, dentro da perspectiva das plataformas de ensino virtuais, o pouco contato físico gerado por essa barreira digital estimula a manutenção desses relacionamentos efêmeros e ligados somente à qualidade profissional e acadêmica. Isso ocorre por que as pessoas deixam de trocar, pessoalmente, experiências entre os próprios estudantes e professores durante a convivência rotineira. Com efeito, esse grupo tende a não formar laços duradouros e, por isso, passam a se isolar da sociedade.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para superar os desafios existentes no ensino à distância no Brasil. Por isso, o Ministério da Educação deve, mediante parceria público-privada com empresas que possuam dívidas com o Estado, fornecer espaços gratuitos que contenham computadores com acesso a internet cedido pelas companhias, e possam ser usados como áreas de uso da população mais pobre, a qual deve realizar um cadastro para utilizar de modo regular. Essa proposta pode auxiliar as pessoas a terem acesso às tecnologias de informação para estudarem em plataformas de ensino superior que ofereçam cursos online. Ademais, esse órgão pode incluir no currículo comum das universidades online, aulas práticas para estimular a convivência social dos alunos e ampliar, dessa forma, os benefícios criados na Terceira Revolução Industrial.