Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 04/10/2019

O documentário “O futuro da aprendizagem”, de Manuel Castells, relata a nova forma de ensino na era globalizada, a qual é cercada de tecnologia e o aluno se encontra em locais físicos e virtuais. Nesse sentido, a narrativa expõe os benefícios da Educação à Distância (EAD), dentre eles: maior flexibilidade, economia de tempo e redução de custos. Contudo, fora da ficção, o cotidiano brasileiro enfrenta sérios obstáculos para efetivação do pressuposto. Isso se deve, principalmente, pelo preconceito da sociedade e, ainda, pela exclusão digital no país.

Convém ressaltar, a princípio, que desde 2003, o numero de inscritos no EAD passou de 50 mil para 1,3 milhões, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). E essa popularidade do acesso a esse modo de ensino superior foi também por conta do baixo custo das plataformas de ensino em relação às faculdades presenciais, mas nem por isso faz-se entender que todas são qualitativamente inferiores por terem custo acessível, embora muitas pessoas idealizem que somente o ensino presencial é capaz de formar profissionais capacitados, quando, na verdade, há muitos cursos a distância em que os alunos apresentam alto desempenho, e isso se deve, impreterivelmente, ao esforço do aluno, assim como é no ensino presencial. Diante disso, a população deve abandonar preconceitos retrógados e dar jus ao desenvolvimento social.

Além disso, é elementar que se leve em consideração que, de acordo com o pensamento filosófico de São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática de direto, todos possuem o mesmo grau de importância. No entanto, o Estado diverge de tal perspectiva, pela ausência de uma inclusão digital, principalmente, em zonas afastadas dos centros urbanos. Dessa maneira, em 2014, a inclusão digital no país chegava a menos de 50%, segundo o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). Logo, observa-se que a carência de tal recurso, afeta quem mais necessita do estudo virtual, ou seja, não tem amplo acesso físico aos centros de ensino, o que corrobora para disparidade educacional.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para que isso ocorra, a mídia de grande impacto- como Rede Globo, Record e SBT- em parceria com o Ministério da Educação, deve promover propagandas acerca dessa temática, de modo a usar vídeos do cotidiano, com estudantes digitais, que possam ressaltar a qualidade e os benefícios desse tipo de aprendizado. Dessa forma, será possível desconstruir o preconceito popular sobre a EAD e difundir esse novo modelo pelo Brasil. Além disso, o Poder Público- por meio de investimentos governamentais- implementar o acesso à internet em regiões afastadas, afim de assegurar esse recurso para cidadãos que necessitam da didática virtual e garantir maior flexibilidade ao estudo assim como no documentário “O futuro da Aprendizagem”.