Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 02/09/2019
Segundo um dos criadores da empresa “Apple”, o americano Steve Jobs, a tecnologia move mundo. Já de acordo com o ex presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é o instrumento que tem a capacidade de mudá-lo. No Brasil contemporâneo, um ótimo exemplo da junção dessas duas perspectivas é o Ensino à Distância, adotado por diversas universidades do país e alvo de opiniões controversas. De fato, o EaD proporcionou uma democratização do acesso a educação de qualidade no cenário acadêmico brasileiro. Contudo, exige-se do aluno ainda mais disciplina e organização que dos que frequentam aulas presenciais, além de que no modelo à distância há a desvantagem da menor interação social, essencial para a posterior inserção do estudante no mercado de trabalho.
A priori, o ensino à distância no Brasil apresentou um crescimento significativo nos últimos anos, o que mostra um aumento na busca dos universitários por esse método de ensino. Conforme o Censo de Educação Superior, divulgado pelo Inep, as matrículas em EaD cresceram 17,6% de 2016 para 2017, representando mais de 20% das matrículas totais nas universidades. Desse modo, o ensino à distância torna-se uma importante ferramenta de dispersão educacional, contando com vantagens essenciais para uma sociedade pós revolução industrial - na qual “tempo é dinheiro” - , como a flexibilidade dos horários, o menor custo e, com o advento da internet, o fácil acesso.
Não obstante, tal modalidade de ensino se depara com vários desafios. Parafraseando o filósofo Jean Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre. Sob essa ótica, a ausência de um professor “físico” e de um ambiente próprio para o estudo pode dificultar o aprendizado, uma vez que o aluno está exposto a distrações em excesso se comparado a uma sala de aula tradicional. Além disso, faz-se necessário que o estudante saiba conciliar a liberdade que possui para escolher seus horários, de modo que o conhecimento adquirido seja verdadeiramente absorvido. É válido ressaltar também, a baixa interação social, fator que pode prejudicar, futuramente, as relações no ambiente de trabalho.
Em suma, faz-se imprescindível a atuação das universidades públicas e particulares na disponibilização de maiores quantidades de aulas práticas e plantões de dúvidas, de forma que o próprio aluno possa selecionar o horário pertinente a ele, a fim de balancear o aprendizado à distância e suas vantagens com a possibilidade de socialização que não seja por meios virtuais. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação a implantação de uma disciplina específica nas grades curriculares para auxiliar os estudantes EaD na administração dos estudos, com o intuito de trazer maior aproveitamento das aulas virtuais. Desse modo, a educação será realmente democratizada, acessível e eficaz.