Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 03/09/2019
A educação a distância (EAD) já é uma realidade no Brasil: de acordo com o Ministério da Educação (MEC), dois em cada 10 brasileiros cursam ensino superior nessa modalidade. A perspectiva é de crescimento, mas também de muitos desafios, pois apesar dos inegáveis benefícios, o ensino à distância tem motivações perversas e a falta de interação em sala de aula traz prejuízos à educação.
Em primeira análise, verifica-se que as instituições de ensino objetivam prioritariamente o lucro nas relações com os alunos da modalidade à distância. Observa-se isso pela ausência da interação aluno-professor nas aulas transmitidas online. Os grandes pensadores da humanidade desenvolveram suas capacidades por meio de debates e reflexões em grupo, como Aristóteles e Sócrates faziam nas ágoras gregas no século IV antes de cristo. O que se vê nas plataformas educacionais da internet é o oposto, pois a única fonte do saber é o professor das vídeo-aulas.
Por conseguinte, o discente de um curso à distância torna-se refém de uma aula autócrata. Seduzido por baixas mensalidades e condições facilitadas de utilização, o aluno à distância não percebe, mas sua formação é muito inferior ao de um aluno presencial. Nas plataformas online não têm-se conversas, divergências de opinião, experimentação e, principalmente, formação de senso crítico. Paulo Freire defende que não é um homem que educa o outro, nem ninguém se educa sozinho mas que os homens educam-se entre si. Dessa forma, percebe-se que a tecnologização da educação está gerando prejuízos ao aprendizado.
Com a finalidade de reverter esse quadro, urge que o Governo Federal tome medidas. O Ministro da Educação, com o intuito de preservar o completo aprendizado dos alunos, deve criar uma câmara temática para a criação de normas técnicas que definam limites à aulas sem interações humanas e imponham que, mesmo virtualmente, o professor esteja a disposição da turma para conversas multilaterais sobre a matéria. Com isso, seguiremos aprendendo como Aristóteles e não como robôs.