Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 12/09/2019
Atualmente, em plena Terceira Revolução Industrial, conhecida por Técnico-Científico-Informacional, novas tecnologias surgem a todo momento, enquanto as antigas práticas são aprimoradas. Essas inovações contribuem de várias formas para melhorar a qualidade de vida de seus usuários, como promover economia de tempo e dinheiro. Dentre tais novidades dos últimos anos, uma delas se destaca pela maneira como revolucionou os tradicionais métodos escolares: a educação à distância. Esse modelo, apesar de ser amplamente utilizado no Brasil e ter beneficiado muitos, levanta questionamentos sobre sua legitimidade: é possível formar um bom profissional sem o contato direto com professores, além de confiar na sua disciplina e compromisso com o curso?
Em primeiro lugar, a educação à distância (EAD) é uma modalidade alternativa para a qualificação daqueles que não dispõem de recursos necessários para estar em uma universidade física. Em muitos casos, pela flexibilidade de horários, ela é escolhida por adultos que trabalham o dia todo e não têm tempo disponível para se adequar a um curso presencial, mas que desejam voltar a estudar. Prova disso são os dados divulgados pela Associação Brasileira de Educação à Distância, que indicam que mais da metade dos alunos dessa rede são mulheres de 26 a 40 anos, empregadas e pagantes das próprias mensalidades. Sendo assim, o estudo à distância se configura como um aliado na ampliação do acesso aos níveis técnico e superior no país, que contempla diversas faixas etárias.
Em segundo lugar, apesar de vantajosa em muitos aspectos, a modalidade não-presencial gera dúvidas pela falta de convivência do discente com professores, que por sua vez contribuem diretamente com experiências tangíveis sobre a área de futura atuação. Um exemplo disso são alunos dos cursos de Matemática e História, que, de acordo com o Censo da Educação Superior, 40% deles estudam pelo método EAD. Dessa forma, esses futuros docentes perdem a oportunidade de assistir pessoalmente às aulas e aprender com a didática do professor. Além disso, pela falta de confirmação da presença do matriculado e do acompanhamento de seu rendimento em sala de aula, muitos podem “burlar” esse sistema, por exemplo, ao pagar outras pessoas para resolver os exercícios e assistir às aulas por eles, apenas para conseguir o diploma.
Portanto, a EAD é benéfica em vários aspectos, mas pode ser aperfeiçoada. É mister que as universidades criem métodos eficazes para confirmar a identidade e compromisso do aluno, como provas semanais ou quinzenais que abordem os conteúdos mais recentes, em pólos de fácil acesso. Devem, ademais, incluir aulas presenciais, em cursos de licenciatura, voltadas para aprender com e sobre o contato didático, e, assim, garantir uma legítima formação de novos profissionais no Brasil.