Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 18/09/2019
No início do século XIX com a chegada da família real portuguesa foi criada, no Rio de Janeiro, a primeira faculdade de medicina do Brasil. Posteriormente, no ano de 1827, foram fundadas as primeiras faculdades de direito, as do Recife e de São Paulo, que se tornaram polos da intelectualidade do império. Hodiernamente, observa-se, por intermédio das mídias, televisivas ou sociais, que o país enfrenta diversos problemas relacionados às perspectivas e desafios da educação à distância. São fatores que contribuem para essa problemática, a escassez de vagas no ensino público superior, aliada à incerteza da qualidade dos cursos oferecidos na modalidade à distância.
Nesse contexto, a carência de vagas nas instituições públicas de ensino superior, em uma sociedade cada vez mais consciente da importância da educação como meio de sobrevivência e ascensão social, fez o número de matrículas nos cursos à distância decolarem. Segundo Immanuel Kant, “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. Nessa perspectiva, o desenvolvimento social proposto pelo filósofo alemão esbarra na desigualdade de oportunidades de acesso ao ensino presencial de excelência. Prova disso, é que são precisos exames de admissão como vestibulares e o Enem para selecionar quem terá acesso gratuito ao ensino superior, pois não há vagas para todos. Portanto, a adesão a qualquer modalidade de ensino não pode ser imposta pela escassez de oportunidades no ensino presencial público, mas na opção individual.
Ademais, a qualidade do ensino à distância no Brasil ainda não foi assegurada. Isso acontece porque, a disseminação de polos de ensino dessa modalidade, estimulada pela demanda percebida, inteligentemente, pela atividade mercantil, não foi acompanhada de mecanismos de controle de qualidade do ensino oferecido. Segundo o site G1, cerca de um quinto das matrículas no ensino superior são na modalidade EAD, o que demonstra, dessa maneira, que a capacidade de formação desses cursos não pode ser negligenciada, pois são futuros professores, bacharéis e outros profissionais que estarão no mercado de trabalho em um futuro muito próximo atendendo à população.
Diante desse cenário, para transpor os desafios da educação à distância no Brasil, o Governo, via Ministério da Educação, deve implementar, em paralelo com a ampliação de vagas do ensino presencial, um programa nacional de avaliação do aprendizado dos egressos do ensino superior, por meio de uma avaliação de conhecimentos específicos, semelhante ao “Exame de Ordem Unificado” aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil, a fim de atestar a qualidade do ensino com foco na formação de profissionais que atendam aos requisitos básicos para o exercício da profissão e assegurar que o ingresso na modalidade de ensino EAD seja uma opção e não imposição social.