Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 24/09/2019

Pedro Vaz de Caminha foi o escrivão português, no período de descobrimento do Brasil. Uma das características de um escrivão eram, na literatura quinhentista,  a descrição e o detalhamento dos lugares descobertos. Embora os textos tenham finalidades distintas, a literatura quinhentista tinha uma premissa na propagação de conhecimentos à distância a partir da escrita. Na hodiernidade, essa ferramenta educacional, com a evolução tecno-científica, representa a internet e o ensino superior digital. Sobre essa temática, dois aspectos fazem-se relevantes: a importância da expansão do acesso ao conhecimento e os desafios que acercam a problemática.

Primeiramente, é importante salientar o advento tecnológico como impulsionador da educação à distância (EaD). De acordo com o sociólogo contemporâneo Manuel Castells, em sua teoria “sociedade de redes”, ele exemplifica o uso da internet como uma forma de democratização do acesso à educação. De fato, em um ambiente no qual a circulação de informação é livre, a descentralização do conhecimento é eminente. Análogo à EaD, os benefícios econômicos (mensalidade baixas e sem necessidade de transporte público)  favorecem a ampliação do ensino superior para as classes que, em um ensino presencial, não teria oportunidade de estudar devido à condição financeira. Dessa maneira, a internet tem um valor social, no qual ajuda na divulgação do conhecimento.

Ademais, o Governo Federal negligencia na criação de um projeto que vise ampliar a EaD. Segundo uma pesquisa realizada pela TIC Domicílios, 50% da população rural e pobres têm acesso à internet, revelando um baixo índice de inclusão digital. Contextualizando tal dado ao cenário do ensino superior na internet, embora a EaD facilite e amplie a entrada na universidade, as condições socioeconômicas de uma parcela da sociedade são empecilhos para o ingresso na faculdade virtual – ou até mesmo na busca do conhecimento. Desse modo, fica evidente que, apesar da internet oferecer uma igualdade de acesso ao estudo, a conjuntura econômica e a falta de atenção do Governo para tal temática corroboram para a desigualdade na educação.

Urge, sendo assim, uma necessária intervenção dos Governadores para garantir o acesso dos cidadãos à educação.Para isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC) criar um projeto que ofereça bolsa de desconto nas faculdades de EaD – através do FIES- e também um “notebook” para aqueles alunos que desejam fazer o ensino superior no meio digital. Esse projeto deve ser gerenciado pelas secretarias educacionais dos Estados e fiscalizado perante uma prova socioeconômica com o objetivo de oferecer a infraestrutura necessária ao estudante que necessita do amparo do Estado. Somente assim, a democratização da educação será uma verdade.