Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 30/09/2019

“O homem é uma tábula rasa”. Com esse postulado, John Locke, pensador inglês, explicitou que o indivíduo tem a capacidade de assimilar tudo aquilo que lhe é apresentado. Hordiernamente, a principal agente do conceito é a educação. Contudo, com a educação à distância — modalidade de ensino que permite certo afastamento entre o aluno e a instituição —, essa concepção torna-se defasada, sendo fundamental a manifestação de melhorias para que se torne um método eficaz de ensino no Brasil.

É imperatório analisar, primeiramente, a interferência da “Modernidade Líquida” sobre a temática. Conceituada pelo polonês Zygmunt Bauman, ela consiste no enfraquecimento de concepções rígidas, como a educação, gerado, principalmente, pela volatividade do tempo. No âmbito tratado, essa liquidez é vista em prática quando, no ensino à distância, é valorizado o menor tempo do curso em detrimento do conteúdo exposto, tornando a formação dos alunos, muitas vezes, insuficiente para o mercado de trabalho. A ausência ou inconstância de aulas práticas e presenciais é, somente, um dos fatores que ilustram tal deficiência. Portanto, esse desafio deve ser superado para que essa modalidade seja concretizada com êxito.

Outrossim, é de significativa importância debater sobre o método empregado no ensino à distância. Para o pensador contemporâneo Jacques Derrida, é fundamental, para o desenvolvimento do saber, a prática da leitura e da escrita em contraste com a fala. Entretanto, é notório que não é o que acontece nas aulas não presenciais, em que, com a promoção de video aulas, os livros são postos em segundo plano, inviabilizando o conhecimento crítico manifestado, em sua maioria, pela pesquisa e leitura. Logo, é preciso fomentar modificações estruturais para alavancar as perspectivas expressas pelo EAD.

Em suma, a formação à distância é válida para o país mas precisa de reparos. Para potencializar os benefícios da mesma, cabe ao Ministério da Educação promover reformas na modalidade, como o aumento da cargahorária obrigatória presencial dos cursos, essencial para o desenvolvimento da prática. Além disso, é dever do mesmo, a formulação de materiais escritos para servirem com base de estudos aos alunos, a fim de valorizar o conhecimento crítico, gerando resultados expressivos para os mesmos. Tudo isso para que a teoria exposta por John Locke seja expressiva na sociedade brasileira.