Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 16/10/2019

A educação a distância (EAD) não é uma novidade, visto que há relatos do primeiro curso de estenografia por correspondência, em 1728, em um jornal de Londres. Hoje em dia, com o amplo acesso à internet, essa modalidade de ensino tornou-se mais popular no Brasil. Graças a isso, há uma democratização da educação, porém, junto com esse ponto positivo, traz consigo o estigma do aprendizado a distância. Logo, urge combater os desafios presentes a respeito dessa realidade.

Em primeiro plano, a evolução tecnológica, atrelada ao advento da internet, mudou a vida das pessoas, de modo que informações e conteúdos estão dispostos para consumo em qualquer momento, o que desburocratiza o aprendizado. De acordo com o artigo 6 da Constituição Federal vigente no país, a educação é um direito assegurado aos cidadãos. Desse modo, os cursos a distância corroboram com a garantia dessa constitucionalidade, uma vez que os indivíduos têm acesso a isso conforme suas rotinas, por conta da flexibilidade que o EAD oferece. Como consequência disso, segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância, em 2017, por volta de 7 milhões de pessoas estavam inscritas em algum curso online no país - o que mostra essa procura pela adaptabilidade entre ensino e cotidiano.

Entretanto, esse modelo de aprendizagem é estigmatizado, visto que não há contato físico com os professores e a instituição, além da grande flexibilidade dos horários, que passa a ideia de falta de obrigações e de disciplina. Conforme o conceito de Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade absorve e neutraliza uma estrutura que é imposta à sua realidade. Dessa maneira, entende-se que apenas o ensino presencial é eficaz e gera profissionais qualificados, sendo que, na verdade, o que define isso é a disciplina do aluno, o que pode fazer um graduando a distância ser tão bom quanto um de uma universidade pública, por exemplo. Em decorrência disso, é necessário mudar tal postura, visto que a acessibilidade do EAD não possui relação com má qualidade educacional, pelo contrário, oferece um meio de formação para os que não têm como ter.

Assim sendo, é necessário tomar medidas capazes de expandir a disponibilidade de cursos e instituições e de desmitificar o aprendizado a distância. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) promover a criação de novas graduações nesse modelo em universidades públicas, por meio do oferecimento tal como o dos cursos presenciais, com o fito de ampliar o ensino público e gratuito para essa modalidade, de modo a incluir aqueles que possuem uma situação financeira precária. Tange também ao MEC, em parceria com institutos privados, investir na construção da imagem e na divulgação do EAD, via propagandas nas mídias mais utilizadas, com o objetivo de tirar o estigma do ensino a distância e torná-lo mais atrativo. Logo, com essas providências, os desafios serão atenuados.