Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 11/10/2019

A Constituição Federal de 1998 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - garante a educação e o bem-estar social. Entretanto, a ineficiente gestão de recursos e os tabus acerca do ensino à distância contribuem para os baixos números de alunos nessa modalidade, o que representa grave obstáculo à verdadeira efetivação desse direito. Com efeito, intensificar investimentos para mitigar a inadimplência do poder público e desconstruir o preconceito é medida que se impõe.

Em primeiro plano, é evidente que a negligência do poder público contribui para o problema sistêmico do desigual acesso a educação. A esse respeito, no “Conto de Escola”, Machado de Assis discorre sobre os desafios encontrados por Pilar, que se sentia desmotivado, pois por ser de família de baixa renda teria que escolher entre estudar ou trabalhar para ajudar na despesa familiar. Fora da ficção, as dificuldades sofridas por Pilar são reflexos da inadimplência governamental, uma vez que a falta de investimentos em cursos de educação à distância impede que parte da população - principalmente de baixa renda- concilie os estudos com outras atividades. Nesse contexto, nota-se a importância de um aperfeiçoamento na modalidade EAD, pois favoreceria indivíduos que outra hora acharia mais sedutor trabalhar a estudar, além de permitir um melhor aproveitamento temporal e espacial de outros grupos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

De outra parte, o preconceito também impede uma maior adesão de alunos aos cursos de ensino à distância. Acerca disso, uma pesquisa realizada pela Universa expõe que mais de 60% dos alunos que fazem EAD são menos valorizados nas entrevistas de emprego. Esse impasse assume contornos específicos no Brasil, onde, o histórico sucateamento educacional faz com que algumas pessoas assumam posturas culturais conservadoras e discriminatórias ao tratarem com recusa quem participa dessa modalidade. Nesse sentido, enquanto o país não atuar na valorização e inclusão, o estudante brasileiro continuará sem usufruir o direito previsto na Carta magna: o bem-estar social.

Urge, portanto, que o direito a educação e ao bem-estar social seja, de fato, assegurado como prevê a Constituição. Nesse sentido, cabe ao Governo encaminhar verbas para o Ministério da Educação e da Tecnologia que devem, com urgência, direcionar investimentos para o aperfeiçoamento da educação à distância além de promover eventos sociais que incentivem e auxiliem o aluno da EAD em seu progresso acadêmico e profissional, por meio de campanhas em redes sociais, com a finalidade de valorizar o curso e mitigar a evasão causada pela dificuldade de conciliação com empecilhos temporais, financeiros ou espaciais, também, desconstruir posturas discriminatórias e preconceituosas, permitindo, assim, o crescimento do potencial trabalhador especializado e a adesão em Instituições de ensino a distancia.