Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 11/10/2019
A obra “Clarissa”, do autor brasileiro Érico Veríssimo, ao retratar a mudança de uma adolescente recém-chegada do interior para Porto Alegre,revela as dificuldades vividas pela menina em razão do seu sonho de se tornar professora. Contemporaneamente, milhares de cidadãos que almejam um diploma universitário não necessitam passar pelos mesmos sofrimentos cotidianos da jovem apresentada no romance,haja vista os recentes avanços na educação à distância no Brasil. Apesar das perspectivas otimistas quanto a essa modalidade de ensino,é preciso superar os empecilhos para seu desenvolvimento,como a imposição de padrões educacionais e a ineficácia operacional do Estado.
Em primeira análise,a intensa padronização da educação se revela como um entrave para o ensino à distância no país.Isso porque os critérios de aceitação das instâncias educativas se tornam cada vez mais globais e,vinculados ao grande capital,ditam o modelo convencional de aprendizagem como o único capaz de qualificar um estudante,o que ocasiona a depreciação de métodos distintos no imaginário popular.Nesse sentido,o panorama nacional se enquadra no pensamento de Michel Foucault,que aponta a “microfísica do poder”, isto é,a capacidade de se controlar as opiniões e os desejos do corpo social pelo sistema vigente.Dessa forma,os benefícios do estudo não-presencial,como a dispensabilidade de deslocamento e o baixo custo, são menosprezados a favor do “status quo”.
Ademais, a incapacidade de gestão estatal se configura como adversidade a ser superada pelo ensino online. Esse fato decorre do esfacelamento moral do Poder Público, o qual não nota grandes vantagens financeiras ou eleitorais para si na expansão da educação à distância, já que a temática não é uma demanda prioritária para sua teia de relações pessoais. Sob tal ótica, o modo “tradicional de dominação”, refletido por Max Weber, nas páginas de “Economia e Sociedade”, possui ligação com a realidade brasileira, porquanto afirma que os grupos de poder são movidos por ambições subjetivas, que utilizam os bens públicos como patrimônio pessoal. Dessa maneira,o patrimonialismo da máquina pública, ao negar investimentos no novo estilo de educação, inviabiliza o acesso à graduação universitária para milhares de habitantes e precariza a qualidade da mão de obra do território.
Portanto,solucionar as imposições do sistema educacional usual e a ineficiência governamental é um deflagrado desafio político para o progresso do tema abordado. Por conseguinte, o Poder Executivo Federal deve promover investimentos orçamentários na educação à distância,por meio da ampliação e otimização em todo o Brasil de suas unidades, as quais contem com um melhor acompanhamento pedagógico online para cada aluno,com o intuito de expandir o acesso ao Ensino Superior no Brasil. A partir disso,os obstáculos diários vivenciados em “Clarissa” não serão empíricos para a escolarização.