Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Segundo o historiador Yuval Harari, em sua obra “Homo Deus”, as tragédias antes vistas como inevitáveis, hoje, com o avanço da tecnologia, são manipuláveis. No entanto, algumas dessas “tragédias” têm seu manuseio feito de forma ineficiente, como é o caso da crise da educação brasileira, e uma nova alternativa surgiu para ajudar na resolução desse problema: a educação à distância (EAD). Porém, é necessário que essa educação seja analisada sob uma nova perspectiva devido aos seus desafios de ordem tanto educacional como política.

Em primeiro lugar, cabe destacar que essa forma de ensino merece reconhecimento por permitir uma maior difusão do conhecimento. Para elucidar essa ideia, é possível recorrer ao que fala o filósofo David Hume, em seu livro “Ensaio sobre o entendimento humano”: tudo que quebrar barreiras para o caminho do saber deve ser considerado benfeitor da humanidade. De modo análogo, é indispensável notar que a EAD tem uma grande relevância na sociedade brasileira: por possuir uma maior flexibilidade nos horários possibilita a conciliação entre trabalho e estudo. Portanto, é fundamental reconhecer o mérito dessa valorosa espécie de educação que emerge em uma sociedade desigual como forma de proporcionar maiores oportunidades àqueles que não podem ter o ensino presencial.

Em segundo lugar, é relevante discutir o quanto a atuação das esferas políticas é decisiva nesse cenário, posto que a Constituição Federal é clara ao pontuar que a educação é dever do Estado. Nesse sentido, a regulamentação e o incentivo que partem do Governo Federal objetivariam resolver um dos principais desafios que é posto como impedimento para o exercício da EAD no país: a falta de contato com outros alunos e professores, fundamental e característico dos ambientes de estudo. Lamentavelmente, é desanimador notar que a realidade não apresenta sinais de plena execução: número limitado de instituições de ensino “on-line” e pouco investimento na sua ampliação. Diante disso, ratifica-se a necessidade de as normas não se transformarem em letra morta, e assim, corresponder ao que propôs o filósofo Aristóteles: “é necessário que os governos sigam as leis”.

Por último, é urgente pensar uma forma de contornar essa problemática. Para isso, o Ministério da Educação - por ser o órgão federal encarregado de avaliar a política nacional de educação e zelar pela qualidade do ensino - deve criar diretrizes e programas de apoio aos grupos interessados em realizar plataformas de educação à distância. Isso pode ser feito por meio do aporte financeiro realizado em conjunto com o Governo Federal para a aplicação dos projetos. Com efeito, objetiva-se que esses mecanismos sejam compreendidos com seriedade e que mais pessoas possam obter uma formação profissional de qualidade.