Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Encurtando distâncias

Educação a distância (Ead) é uma forma de ensino-aprendizagem mediada por tecnologias que permitem ao professor e aos alunos estarem em ambientes físicos diferentes. Nesse contexto, é evidente o seu potencial transformador no âmbito educacional brasileiro - marcado por desigualdades -, porém, em extensão aos problemas já enfrentados na educação tradicional, perpetuam-se obstáculos no emprego da Ead relacionados ao acesso a essa tecnologia. Consequentemente, ocorrem perdas importantes no que concerne à modernização e ampliação do ensino.

A princípio, para o sociólogo Manuel Castells, a sociedade deixou a era industrial e entrou na era da informação, expressando-se, então, como “sociedade em rede”. Nesse sentido, diversas atividades, antes reservadas a determinados grupos sociais, tornaram-se acessíveis a qualquer pessoa, em qualquer lugar. Sob essa ótica, alinhada às formas atuais de comunicação, a Ead facilita o acesso à educação. Essa acessibilidade se dá financeiramente, devido aos cursos a distância serem, em geral, mais baratos que os presenciais; espacialmente, haja vista a viabilidade de realizá-los em lugares mais distantes de centros urbanos, por exemplo; e na perspectiva temporal, dado que os horários são flexíveis e permitem conciliá-los com rotinas atribuladas. Em suma, o formato propicia alternativas para aqueles impossibilitados, ou com grandes dificuldades, de frequentar a educação presencial.

Sob outro prisma, apesar de a Ead oferecer alternativas de acesso à educação para indivíduos historicamente excluídos da sociedade, ainda enfrenta em duro revés: a exclusão digital. Tal empecilho se manifesta em diversos aspectos, com destaque para o estrutural e o cognitivo, este em função da dificuldade de compreender e lidar com novas tecnologias e aquele em virtude da ausência de infra-estrutura básica, como Internet de boa qualidade, por exemplo. A situação se comprova pelos dados de pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, em que somente 49% da população de zonas rurais tiveram acesso à Internet, em 2018. Assim sendo, a desigualdade ainda é fator de inacessibilidade ao ensino, mesmo a distância, e precisa ser atenuada.

Urge, portanto, direcionar esforços no sentido de amenizar as adversidades do panorama da educação a distância no Brasil. Cabe aos Ministérios da Educação e das Comunicações ampliar os subsídios para laboratórios de informatica escolares e o acesso à banda larga residencial para camadas mais pobres, por meio de incentivos fiscais a companhias de telecomunicações, no intuito de garantir acesso de indivíduos de baixa renda à infra-estrutura necessária para estudar a distância.  ademais compete às escolas a alfabetização digital, mediante oferta de cursos abertos à comunidade.