Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 18/10/2019

Os cursos à distância no Brasil surgiram como meio de qualificação profissional. Em 1904 registra-se o primeiro anúncio sobre um curso a distância no País, era o curso de datilografia por correspondência. Posteriormente, eles foram se desenvolvendo e se expandindo, sendo feito por rádios, televisões e, contemporaneamente, por meio, sobretudo, da internet. Nesse contexto, é notório destacar que a Educação à Distância (EaD) tem ganhado cada dia mais notoriedade no cotidiano da sociedade. Logo, é preciso destacar tanto as perspectivas quanto os desafios dessa modalidade de ensino.

A priori, é necessário salientar que a flexibilidade do ensino à distância promove uma redução na taxa de evasão escolar. Isso porque uma das principais causas de evasão, no Brasil, é a necessidade de trabalhar. Sob essa ótica, a modalidade da um maior acesso a educação para pessoas que não têm disponibilidade de horários frequentes em salas de aula das universidades porque trabalham, assim, promovendo uma maior democratização do ensino, já que indivíduos que outrora não poderiam se formar em um curso superior ou fazer uma especialização, podem-los fazer agora. Prova disso, segundo o censo EaD, aproximadamente 70% dos estudantes da modalidade estudam e trabalham.

Entretanto, a Educação à Distância ainda enfrenta desafios notórios, tais como a disparidade de acesso a internet e a fragilidade na fiscalização das universidades que ofertam a modalidade. Nesse âmbito, observa-se que o Brasil é muito desigual no acesso a internet, já que apenas cerca de 50% da população tem a disponibilidade dela em casa, o que se concretiza como principal desafio no acesso igualitário da EaD. Além disso, muitas Instituições de ensino estão pautadas apenas na expansão no número de alunos e maior lucro, não se preocupando em disponibilizar um curso qualificado. Logo, esse deficit na fiscalização da qualidade dos cursos EaD prejudica a modalidade ao passo em que as pessoas passam a não acreditar na eficiência dela por conta de algumas instituições que a oferta.

Destarte, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia aumentar os investimentos na democratização do acesso a internet no território brasileiro. Isso deve ser feito por meio da disponibilização de centros que ofereçam internet gratuita, sobretudo em áreas mais afastadas das cidades, com o objetivo de que pessoas que desejem fazer um curso superior mas que não podem ir frequentemente à uma Universidade possam fazer-lo à distância e, dessa forma, obter uma maior qualificação para o mercado de trabalho. Outrossim, o Ministério da Educação deve fiscalizar com maior rigor as instituições de ensino que oferecem a EaD, a fim de que seja disponibilizado um curso de qualidade. Ao fazer essas ações, será possível minimizar os desafios da Educação a distância e seus benefícios serão, de fato, aproveitados pela sociedade.